Após 8 anos do incêndio, o Museu Nacional volta a receber visitantes com exposições que refletem sobre perda e reconstrução cultural.
O Museu Nacional, no Rio de Janeiro, está de volta com novidades para quem busca um passeio que una cultura, ciência e história. Oito anos após o incêndio que destruiu parte do Paço de São Cristóvão, o museu abre ao público com duas exposições inéditas que mostram como a instituição está se reinventando e revelando o que sobreviveu às chamas.
As mostras "Rescaldo das Memórias" e "Bastidores da Ciência" ficam em cartaz de 21 de junho a 30 de agosto, com entrada gratuita. A visita acontece de terça a domingo, das 10h às 16h, no Paço de São Cristóvão, em São Cristóvão. Os ingressos precisam ser retirados pela plataforma Sympla e ficam disponíveis toda segunda-feira a partir das 13h, para as sessões da semana seguinte. No domingo de abertura (21), o acesso foi livre desde as 9h, sem necessidade de retirada prévia.
A exposição do artista Vik Muniz, "Rescaldo das Memórias", ocupa exatamente a sala onde o fogo começou em 2018. Fotografias e esculturas criadas a partir de cinzas e fragmentos recuperados do palácio compõem a mostra, que propõe uma reflexão sobre perda e reconstrução. Vigas de aço retorcidas pelo calor ainda estão visíveis no ambiente, integrando a própria arquitetura ao discurso da exposição.
Já "Bastidores da Ciência", desenvolvida pelas equipes do museu e do Projeto Museu Nacional Vive, revela o trabalho que acontece nos bastidores de um museu de ciências: restauração de peças, taxidermia, modelagem digital, paleoarte e técnicas de conservação de acervos. Um destaque especial são os instrumentos musicais criados pelo luthier Davi Lopes com madeiras retiradas dos escombros do incêndio.
A mostra também reúne achados arqueológicos, ornamentos históricos restaurados e uma vitrine comemorativa do bicentenário das relações diplomáticas entre Brasil e Suécia, com acervos doados pelo Museu Sueco de História Natural.
Para quem tem necessidades específicas, o museu terá horários inclusivos e visitas em Libras com tradução para o português acontecerão aos sábados, das 13h às 15h, a partir de 27 de junho. Pessoas com deficiência mental, intelectual ou transtornos do neurodesenvolvimento têm acesso exclusivo às sextas e domingos, das 9h às 10h, a partir de 26 de junho, embora sejam bem-vindas em qualquer outro horário. Grupos escolares e de projetos sociais podem agendar visitas pelo e-mail [email protected].
Uma das maiores perdas culturais da história do Brasil
O Museu Nacional foi fundado em 1818 por Dom João VI e é vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Antes do incêndio de setembro de 2018, a instituição abrigava o maior acervo de história natural da América Latina, com cerca de 20 milhões de itens registrados. O fogo destruiu aproximadamente 90% desse acervo físico, incluindo múmias egípcias, fósseis únicos, coleções de mineralogia e registros etnográficos de povos indígenas brasileiros que não existem em nenhum outro lugar do mundo.
A magnitude da perda colocou o Brasil ao lado de tragédias como o incêndio da Biblioteca de Alexandria. Pesquisadores de todo o mundo lamentaram o desaparecimento de materiais que levaram séculos para ser reunidos e que eram referência para estudos em biologia, antropologia, geologia e arqueologia.
A reconstrução do palácio segue até hoje e 75% das fachadas já foram restauradas, 80% dos telhados foram refeitos e esculturas centenárias de mármore voltaram ao lugar. O projeto de restauro foi aprovado pelo Iphan e o sistema de prevenção a incêndios foi homologado pelo Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro.
Por que visitar um museu faz bem além do lazer
Estudos na área da psicologia e neurociência indicam que visitas a museus estão associadas a benefícios cognitivos e emocionais concretos. Uma pesquisa publicada no periódico Journal of Positive Psychology apontou que experiências culturais, incluindo visitas a museus e galerias, estão relacionadas a maior sensação de bem-estar e propósito entre adultos. O contato com arte e história estimula regiões do cérebro ligadas à empatia, à curiosidade e à memória de longo prazo.
Para quem está na faixa dos 30 aos 60 anos, esse tipo de atividade tem um apelo adicional, ela combina estimulação intelectual com um componente social e presencial que as telas dificilmente reproduzem. Museus como o Nacional também funcionam como espaços de reconexão com a identidade cultural, algo especialmente significativo em um momento em que o Brasil ainda processa o impacto do que foi perdido em 2018.
O que tem para fazer no entorno do Museu Nacional
O Paço de São Cristóvão fica dentro do Parque Quinta da Boa Vista, um dos maiores parques públicos do Rio de Janeiro, com área verde de cerca de 155 mil metros quadrados. O espaço é gratuito, aberto todos os dias e oferece lagos, jardins históricos e o Jardim Zoológico do Rio, que funciona de terça a domingo. É uma boa pedida para transformar a visita ao museu em um programa de dia inteiro em família, sem necessidade de gastar muito.
O bairro de São Cristóvão também concentra o Pavilhão de São Cristóvão, sede da Feira de São Cristóvão, conhecida como a maior feira nordestina fora do Nordeste. Funcionando aos fins de semana, ela reúne gastronomia, artesanato e música regional, sendo uma opção complementar para quem quer aproveitar a região.
Com informações da Agência Brasil.