Saiba o que diz a Nasa sobre a ameaça que asteroides de pequeno portes indetectáveis representam para a Terra.
Thyago Murad | 19 de Fevereiro de 2026 às 10:58
A NASA fez um alerta que gerou preocupação das autoridades em relação a segurança global. De acordo com os cientistas da área de defesa planetária da Agência, a Terra atualmente não possui mecanismos operacionais capazes de proteger o planeta de milhares de asteroides de porte médio que ainda não foram localizados.
Segundo os dados mais recentes apresentados por especialistas em uma conferência da American Association for the Advancement of Science, cerca de 25 000 asteroides próximos à órbita terrestre têm diâmetro em torno de 140 metros, tamanho suficiente para causar destruição em larga escala caso atinjam uma área densamente povoada.
Desse total, apenas cerca de 40 % foram identificados e rastreados, deixando aproximadamente 15.000 objetos sem localização conhecida.
A oficial de Defesa Planetária da NASA, Kelly Fast, sintetizou a dimensão do desafio: “Não nos preocupamos tanto com os grandes asteroides dos filmes, porque sabemos onde eles estão”.
Essa declaração ilustra a diferença entre objetos gigantes, que já foram catalogados, e os chamados “assassinos de cidades”, que por serem menores e menos reflexivos à luz solar, acabam escapando aos métodos convencionais de observação por telescópios terrestres.
A lacuna no rastreamento desses objetos celestes é motivo de apreensão porque asteroides dessa faixa de tamanho são capazes de causar danos regionais catastróficos se impactarem a Terra. Além disso, não existe um sistema de defesa pronto para uso em caso de uma ameaça detectada com pouco tempo de antecedência.
A missão Double Asteroid Redirection Test, ou DART, é tida como um dos únicos mecanismos de defesa do planeta contra esse tipo de ameaça. Em 2022, por exemplo, essa missão conseguiu desviar com sucesso a trajetória de um asteroide por meio do impacto de uma sonda, demonstrando que é possível alterar o trajeto de objetos celestes perigosos.
A fim de reduzir essa vulnerabilidade, a NASA planeja lançar, em 2027, o telescópio espacial Near-Earth Object Surveyor. Diferente dos observatórios que dependem da luz visível para identificar asteroides, esse novo instrumento será capaz de detectar assinaturas térmicas, o que pode revelar asteroides escuros e quase invisíveis aos métodos tradicionais.
O objetivo da agência é catalogar mais de 90 % dos objetos próximos à Terra com mais de 140 metros nas próximas décadas, o que tornaria possível antecipar a detecção e, assim, procurar meios de desviar ou mitigar eventuais impactos.
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