Conheça 5 descobertas brasileiras que ajudaram a entender doenças, combater arboviroses, transformar a agricultura e conhecer novas espécies.
A ciência brasileira tem uma história marcada por descobertas que ajudaram a explicar doenças, transformar a agricultura, combater epidemias e ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade.
Muitas dessas contribuições estão diretamente relacionadas ao trabalho de biólogos e pesquisadores de diferentes áreas. Algumas ajudaram a entender como um parasita se espalha. Outras mostraram novas formas de controlar mosquitos transmissores de doenças ou de produzir alimentos com menos dependência de fertilizantes químicos.
Também há pesquisas que revelam espécies que até então eram desconhecidas pela ciência. Às vésperas do Dia do Biólogo, vamos te mostrar algumas das contribuições da ciência brasileira para a comunidade científica global!
5 descobertas biológicas brasileiras de grande impacto
1. O ciclo da Doença de Chagas foi descrito por Carlos Chagas
Uma das descobertas mais importantes da ciência brasileira está relacionada à Doença de Chagas. Em 1909, o médico e sanitarista Carlos Chagas descreveu de forma completa e inédita na história da ciência o ciclo do protozoário Trypanosoma cruzi e o vetor responsável pela transmissão da doença.
A descoberta foi importante porque reuniu diferentes elementos relacionados à enfermidade. O trabalho permitiu compreender o protozoário envolvido e também o vetor da doença. A investigação de Carlos Chagas se tornou, assim, uma contribuição marcante para o conhecimento científico sobre a doença.
O caso também mostra como diferentes etapas podem fazer parte de uma mesma descoberta científica. Identificar o agente causador de uma doença é apenas uma parte do processo. Entender seu ciclo e sua relação com o vetor ajuda a construir um conhecimento mais completo sobre como ela acontece.
A descoberta feita no início do século XX continua sendo lembrada como um dos grandes marcos da ciência produzida no Brasil.
2. Bactéria Wolbachia é usada para ajudar no controle da dengue
Outra contribuição brasileira está relacionada a um problema bastante conhecido: a transmissão de doenças por mosquitos. O pesquisador Luciano Moreira liderou no Brasil um projeto que introduziu a bactéria Wolbachia em mosquitos Aedes aegypti.
O objetivo era bloquear a transmissão de arboviroses como dengue, zika e chikungunya. A pesquisa chama atenção por utilizar uma característica biológica para enfrentar um problema de saúde. Em vez de simplesmente eliminar os mosquitos, o projeto trabalha com a introdução da bactéria nos insetos para interferir na transmissão dessas doenças.
A estratégia colocou a biologia no centro de uma abordagem voltada ao controle de arboviroses. O trabalho de Luciano Moreira representa, portanto, outro exemplo de como o conhecimento sobre organismos vivos pode ser aplicado para enfrentar problemas que afetam a população.
Também mostra a diversidade do trabalho realizado por pesquisadores da área. A biologia não se limita ao estudo de animais, plantas ou ecossistemas. Ela pode estar diretamente ligada a questões de saúde pública e ao desenvolvimento de estratégias de controle de doenças.
3. Johanna Döbereiner revolucionou o uso do nitrogênio na agricultura
A agricultura brasileira também foi transformada por uma descoberta relacionada ao trabalho de uma pesquisadora. A agrônoma e pesquisadora Johanna Döbereiner descobriu bactérias capazes de realizar a fixação biológica de nitrogênio no solo.
Essa descoberta teve impacto na agricultura brasileira porque reduziu a necessidade de utilização de fertilizantes químicos. O nitrogênio é um elemento importante para as plantas. Ao estudar as bactérias capazes de fixá-lo, Johanna Döbereiner contribuiu para uma maneira diferente de lidar com a disponibilidade desse elemento no solo.
O trabalho da pesquisadora mostra como uma descoberta aparentemente microscópica pode ter consequências muito maiores.
Bactérias que vivem no solo passaram a fazer parte de uma estratégia relacionada à produção agrícola. Com isso, a pesquisa ajudou a transformar práticas no campo e a diminuir a dependência de fertilizantes químicos.
A trajetória de Johanna Döbereiner também destaca a participação das mulheres na construção da ciência brasileira. Seu trabalho se tornou uma referência entre as contribuições científicas que ajudaram a modificar a agricultura no país.
4. Pesquisadora brasileira liderou o mapeamento do genoma do SARS-CoV-2
Durante o início da pandemia, uma pesquisa brasileira ganhou destaque pela velocidade com que o genoma do coronavírus foi sequenciado. A biomédica Jaqueline Goes de Jesus liderou a equipe responsável pelo sequenciamento do genoma do SARS-CoV-2 em tempo recorde no início da pandemia no Brasil.
O trabalho foi fundamental para ampliar o conhecimento sobre o vírus naquele momento. Mapear o genoma significa estudar a sequência genética do organismo. No caso do SARS-CoV-2, esse trabalho permitiu analisar geneticamente o vírus que estava causando a pandemia.
A pesquisa também colocou em evidência a importância da atuação de equipes científicas diante de uma emergência sanitária. Jaqueline Goes de Jesus tornou-se um dos nomes associados à pesquisa brasileira sobre o coronavírus. Seu trabalho representa mais um exemplo de como diferentes áreas das ciências biológicas podem contribuir para compreender agentes infecciosos.
Além disso, o sequenciamento mostra como a velocidade pode ser importante na ciência. Em uma situação de emergência, obter informações sobre um vírus rapidamente pode ajudar os pesquisadores a entender melhor aquilo que estão enfrentando.
5. Elisabeth Henschel participou da descoberta de novos candirus
Se algumas descobertas ajudam a compreender doenças ou desenvolver estratégias para a agricultura, outras ampliam o próprio conhecimento sobre a biodiversidade. É o caso do trabalho da pesquisadora Elisabeth Henschel, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), que participou da descrição de novas espécies de candirus na Amazônia.
Em 2026, a UFV divulgou a descrição de duas novas espécies de peixes vampiros, Paracanthopoma ventuarensis e Paracanthopoma jiparanaensis. O trabalho foi realizado por Elisabeth Henschel em parceria com pesquisadores do Museu Americano de História Natural e do Museu Real de Ontário.
Os candirus são peixes hematófagos. As espécies descritas fazem parte de um grupo que se alimenta principalmente do sangue de outros peixes. A descoberta ajuda a ampliar o conhecimento sobre a diversidade desses animais.
Para identificar as novas espécies, os pesquisadores analisaram características dos peixes e utilizaram técnicas de taxonomia clássicas e modernas. Entre elas estava a tomografia computadorizada de alta resolução, usada para examinar estruturas do crânio e do esqueleto.
O estudo mostra que ainda há muito a descobrir quando o assunto é biodiversidade. Mesmo entre animais já conhecidos pela ciência, novas espécies podem ser identificadas a partir de análises mais detalhadas.
A própria atuação de Elisabeth Henschel está ligada à sistemática e à taxonomia de peixes de água doce, além de áreas como morfologia, genética e ecologia.
O que essas descobertas brasileiras têm em comum?
As cinco histórias pertencem a áreas diferentes da ciência. Carlos Chagas investigou uma doença e descreveu o ciclo do Trypanosoma cruzi e seu vetor. Luciano Moreira liderou uma pesquisa que utiliza a Wolbachia para bloquear a transmissão de arboviroses pelo Aedes aegypti.
Johanna Döbereiner estudou bactérias relacionadas à fixação biológica de nitrogênio e ajudou a transformar a agricultura brasileira. Jaqueline Goes de Jesus liderou o sequenciamento do genoma do SARS-CoV-2 no início da pandemia no Brasil.
Já Elisabeth Henschel participou da descrição de novas espécies de peixes da Amazônia. São pesquisas com objetivos diferentes, mas todas ajudam a ampliar o conhecimento sobre a vida.
Esse é justamente um dos aspectos mais interessantes da biologia. A área reúne estudos sobre organismos, relações entre seres vivos, genética, doenças, biodiversidade e muitos outros temas.