Entenda os riscos acarretados pelo acúmulo de lixo espacial na atmosfera da Terra e o que causa isso.
O acúmulo de lixo espacial na órbita da Terra está chamando a atenção de cientistas e autoridades da aviação porque, além de ameaçar satélites e a Estação Espacial Internacional, ele pode representar um risco crescente para aeronaves em voo.
Entenda os riscos que esse acúmulo de lixo pode acarretar
O número de objetos artificiais que orbitam a Terra vem aumentando com a expansão do setor espacial, o que eleva a probabilidade de que pedaços de detritos caiam de volta à atmosfera em trajetórias que cruzem rotas de aviões comerciais.
Os detritos espaciais incluem pedaços de foguetes usados, satélites desativados e fragmentos resultantes de colisões e explosões em órbita. Quando essas peças perdem altitude e entram na atmosfera, a maior parte se desintegra devido ao calor, mas partes maiores podem sobreviver ao processo e alcançar altitudes nas quais aviões comerciais voam, e é aí que está a preocupação das autoridades.
A medida que lançamentos espaciais e satélites se multiplicam, a frequência de objetos reentrando na atmosfera aumenta.
O risco de lixo espacial atravessar áreas de tráfego intenso de aeronaves está crescendo e segundo estudos, há 26% de chance, em um ano típico, de detritos espaciais reentrarem na atmosfera terrestre sobre regiões de grande movimento aéreo, como o nordeste dos Estados Unidos, norte da Europa ou partes da Ásia-Pacífico, segundo estudo publicado no periódico Nature.
Embora a probabilidade de um fragmento atingir diretamente um avião ainda seja muito baixa, especialistas ressaltam que, com o aumento tanto do número de lançamentos quanto do tráfego aéreo, esse risco “mensurável” tende a subir nas próximas décadas.
O estudo citado estima que, até 2030, a probabilidade de um voo comercial ser atingido por detritos espaciais poderia chegar a cerca de 1 em 1.000, um número que, apesar de baixo, já não é desprezível diante da quantidade de aviões que cruzam o céu diariamente.
Para lidar com esse cenário, cientistas e reguladores defendem melhor coordenação global entre agências espaciais e autoridades de aviação, além de avanços no monitoramento de detritos espaciais e previsão de trajetórias de reentrada. A complexidade das interações entre objetos em órbita e a atmosfera terrestre torna difícil prever precisamente onde e quando um fragmento cairá, o que complica decisões sobre segurança aérea.
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