Descubra como se livrar da bagunça sentimental sem culpa e preservar as lembranças que realmente importam.
Você se considera acumulador? Guardar cartas antigas, objetos de família, trabalhos da infância e presentes de pessoas queridas pode parecer uma forma de manter as lembranças por perto. O problema começa quando tudo isso se acumula e transforma a casa em um depósito de memórias.
Para quem é sentimental, aprender como se livrar da bagunça pode ser ainda mais difícil. Afinal, jogar fora um objeto pode dar a sensação de estar deixando uma lembrança para trás.
Mas não precisa ser assim. O especialista em organização Matt Paxton explicou à Reader’s Digest que, muitas vezes, não são os objetos que amamos, mas as pessoas e histórias associadas a eles. A terapeuta Sarah Seung-McFarland, especialista em psicologia do design, reforça que as memórias não estão nos objetos, mas dentro de nós.
A ideia, portanto, não é eliminar tudo. É descobrir o que ainda faz sentido manter e abrir espaço para aquilo que realmente importa.
Descubra qual é o seu objetivo
Antes de começar a separar objetos, pense no motivo pelo qual você quer organizar o espaço. Você precisa liberar um cômodo inteiro? Quer abrir espaço no armário? Está tentando organizar o sótão ou simplesmente diminuir a quantidade de coisas acumuladas?
A resposta ajuda a definir o quanto será necessário desapegar. Se a ideia for fazer uma grande limpeza, tente não se cobrar demais. Para Sarah Seung-McFarland, abrir mão de objetos sentimentais pode ser difícil justamente porque existe a sensação de que, junto com eles, também estamos perdendo uma conexão emocional.
Mas a lembrança continua existindo mesmo sem o objeto.
Conte as histórias por trás dos objetos
Os itens herdados de familiares e amigos que já morreram costumam estar entre os mais difíceis de abandonar, não é mesmo? Porém, uma maneira de lidar com isso é criar uma espécie de lista de heranças importantes. Matt Paxton recomenda, por exemplo, escolher os cinco objetos sentimentais mais significativos da casa.
Pode ser uma joia d sua avó, uma coleção de discos da mãe ou um instrumento musical do pai. Depois, conte as histórias relacionadas a eles ou escreva tudo. Falar sobre as lembranças ajuda a celebrar as pessoas por trás daqueles objetos.
E isso pode mudar a relação com eles. Quando a história é compartilhada, o objeto deixa de ser a única forma de manter aquela memória viva. Você pode perceber que alguns itens não precisam mais ocupar espaço. Outros, porém, continuarão sendo especiais. E está tudo bem.
Escolha o que realmente merece ficar
O objetivo de como se livrar da bagunça sentimental não é deixar a casa completamente vazia. Na realidade, a proposta é selecionar os objetos que têm significado de verdade e otimizar o seu espaço.
Você pode estabelecer uma quantidade para cada pessoa ou categoria. Por exemplo, escolher apenas uma peça de mobiliário de cada avô ou guardar uma única peça de roupa que tenha pertencido a alguém querido.
Depois de escolher, dê destaque ao que ficou. Em vez de deixar a máquina de escrever que você herdou esquecida no sótão, por exemplo, coloque o utensílio em uma prateleira do escritório. Assim, o objeto continua fazendo parte da sua vida, decorando o ambiente e ainda pode render novas histórias.
Outra ideia é criar uma parede com fotos e lembranças favoritas. Os itens podem ser trocados de tempos em tempos. A sua casa não precisa ser um museu, na verdade, ela pode ser um espaço vivo.
Crie uma caixa do “talvez”
Nem sempre você precisa decidir imediatamente se um objeto fica ou vai embora. Para os itens que provocam mais dúvida, crie uma pilha ou caixa do “talvez”. Guarde essas coisas em um espaço intermediário, como a garagem ou o porão.
A ideia é experimentar como é viver sem aqueles objetos por perto. Se depois de algum tempo você sentir que não precisa deles, pode ser mais fácil deixá-los ir. Se ainda não estiver pronta, tudo bem.
Essa estratégia também pode ajudar quem cresceu em situações de escassez e associa objetos a uma sensação de segurança. Nesse caso, começar aos poucos pode tornar o processo menos difícil.
Tire fotos das lembranças pode ser uma alternativa
Alguns objetos são difíceis de abandonar porque nos fazem lembrar de uma fase feliz da vida. É o caso de roupas de bebê, brinquedos antigos e trabalhos escolares dos filhos. Mesmo quando essas crianças já cresceram, os objetos podem trazer de volta sentimentos associados àquela época.
Uma alternativa é fotografar aquilo que você não precisa mais guardar fisicamente. Assim, a imagem fica registrada e o objeto pode ser doado ou descartado.
Passe os objetos adiante
Jogar fora algo que pertenceu a uma pessoa querida pode ser especialmente doloroso. Mas existe uma terceira opção: encontrar alguém que realmente queira aquele objeto. Uma peça de roupa, um móvel ou outro item de família pode ser doado para uma instituição de caridade ou passado para alguém que tenha interesse nele.
Isso pode tornar o desapego mais fácil, já que o objeto continuará proporcionando alegria a outra pessoa. Até mesmo um vestido de noiva guardado há anos pode encontrar uma nova dona. A matéria cita a possibilidade de doá-lo a organizações que repassam vestidos para noivas.
Transforme o objeto em outra coisa
Se você ainda ama a lembrança, mas não gosta do objeto como ele é, talvez seja possível transformá-lo. Por exemplo, uma jóia herdada que não combina com o seu estilo pode ser facilmente remodelada.
O mesmo vale para móveis, viu? Uma poltrona pode ganhar um tecido novo, uma cômoda antiga pode ser restaurada para combinar melhor com o ambiente atual. A ideia é fazer com que aquele objeto continue carregando parte da história da família, mas também tenha espaço na sua vida de hoje.
Outra possibilidade é transformar roupas antigas em algo novo. Paxton conta o caso de uma família que transformou as camisas de flanela favoritas do avô em almofadas para os netos.
A lembrança permaneceu, mas ganhou uma nova função.
Dê um espaço para cada pessoa
Se você divide o espaço de sua casa e a questão de objetos acumulados te incomoda, é importante lembrar que nem todo mundo da família enxerga os objetos da mesma maneira Aquilo que parece uma relíquia para uma pessoa pode ser apenas uma coisa velha para outra.
Por isso, é importante que cada integrante da família tenha um espaço próprio para guardar o que considera importante. Pode ser um armário individual ou uma grande caixa no sótão ou no porão, o fato é que o respeito precisa imperar.
A regra é simples: cada pessoa pode guardar o que quiser dentro do próprio espaço, desde que esses objetos não invadam as áreas compartilhadas da casa. Assim, ninguém precisa decidir pelo outro o que merece ser considerado uma lembrança.