Descubra os hábitos simples de limpeza, manutenção e uso correto que prolongam a vida útil do seu fogão e evite acidentes e gastos desnecessários.
Embora muitas fabricantes não querem que você saiba, a verdade é que um fogão bem cuidado pode durar até mais do que 20 anos. Já um fogão negligenciado, com queimadores entupidos, borrachas muito secas e limpeza irregular, pode começar a falhar em menos da metade desse tempo, fazendo com que você tenha que comprar um novo aparelho.
Se você não quer gastar dinheiro à toa ou comprou um fogão recentemente e quer saber como deixá-lo em perfeito estado, fique aqui que nós vamos revelar para você alguns truques e hábitos simples que qualquer pessoa pode adotar no dia a dia e que vão deixar seu fogão novinho por muito mais tempo!
Quanto tempo um fogão dura, em média?
A duração de um fogão depende de vários fatores como o tipo do fogão, o material usado na fabricação, a frequência de uso e os cuidados com a limpeza. Contudo, de acordo com os principais fabricantes, fogões a gás convencionais costumam ter uma vida útil mais longa, ficando entre 15 e 20 anos. Já os cooktops de vitrocerâmica e indução ficam um pouco atrás com uma duração de 10 a 15 anos.
Esses números, porém, podem ser maiores se você fizer o uso e manutenção adequados. Isso porque um fogão mal cuidado pode enfrentar problemas como ferrugem, entupimentos, curto circuito e até mesmo falha na segurança em menos da metade desse tempo, fazendo com que você precise consertar o aparelho ou substituí-lo.
Por que o fogão perde desempenho com o tempo?
Um dos principais motivos para a redução da durabilidade de fogões são os resíduos de gordura e alimentos que se acumulam nos queimadores e bloqueiam parcialmente as saídas de gás. O resultado visível é uma chama irregular e amarelada, em vez do azul uniforme que indica boa combustão. Mas o que muita gente não percebe é que essa chama irregular também aumenta o consumo de gás e força o aparelho a trabalhar mais do que deveria.
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Já no interior do forno, o acúmulo de gordura queimada vai além do aspecto visual. Os resíduos carbonizados criam uma camada isolante que compromete a distribuição de calor e pode, com o tempo, danificar o revestimento interno, além de influenciar no sabor e cheiro dos alimentos. Se você está passando por isso, veja a nossa matéria sobre como limpar o forno e outras dicas para cuidar do seu fogão.
Hábitos de uso que desgastam o fogão sem você perceber

Alguns hábitos que você pode ter e que são aparentemente inofensivos desgastam o fogão de forma silenciosa. Usar panelas muito grandes que ultrapassam o diâmetro da boca, por exemplo, podem estragar o seu fogão sem você perceber. Isso porque o excesso de chama e calor aquece a grade, o tampo e até os controles do aparelho. Com o tempo, esse calor excessivo pode deformar o ferro fundido, rachar o esmalte e até mesmo danificar os botões.
No caso dos fogões de indução o problema é ainda mais grave, pois estes aparelhos funcionam através de eletromagnetismo tendo o espaço delimitado para o funcionamento correto. Caso você use uma panela maior do que o recomendado pelo fabricante, o calor do fundo da panela pode queimar os circuitos e fazer com que os botões parem de funcionar. Além disso, geralmente panelas maiores, quando cheias, ultrapassam o limite de peso recomendado.
Panelas muito pequenas também não são ideais, elas criam o problema inverso: concentram calor em excesso numa área reduzida e fazem o fogão trabalhar mais para manter a temperatura. O ideal é usar panelas cujo fundo corresponda aproximadamente ao diâmetro da boca.
A forma que você acende e desliga o fogão também importa. Girar o botão com força excessiva ou mantê-lo pressionado por mais tempo do que o necessário desgasta o sistema de ignição e o sensor responsável por cortar o gás quando a chama apaga.
Como acender e desligar corretamente
Ao acender, gire o botão apenas o suficiente para liberar a chama. Não é necessário mantê-lo pressionado por mais tempo do que o necessário para o acendimento automático funcionar. Verifique no manual do seu aparelho o que a fabricante recomenda e siga o tempo correto. Dessa forma você evitará o excesso de pressão que desgastará o sistema de ignição.
Na hora de desligar, leve o botão até a posição "off" com firmeza, sem deixá-lo em ponto intermediário. Um botão mal posicionado pode permitir um vazamento mínimo de gás que, acumulado ao longo do tempo, corrói componentes internos e representa risco de segurança.
Cuidados com a mangueira e a borracha de vedação
Dois componentes frequentemente ignorados têm papel crítico na segurança e na durabilidade do fogão: a mangueira de gás e a borracha de vedação do forno.
A mangueira de gás deve ser inspecionada regularmente em busca de rachaduras, ressecamento ou deformações. A nossa recomendação é que você faça isso pelo menos a cada seis meses. Um vazamento invisível pode ser detectado com um truque simples: com uma esponja úmida e com detergente, faça espuma sobre as conexões e ao longo da mangueira. Se aparecerem bolhas, é sinal de vazamento e a mangueira deve ser substituída imediatamente. Atenção: a vida útil de uma mangueira de gás é de, no máximo, cinco anos, independentemente da aparência e você só deve comprar aquelas com o selo do Inmetro.
A borracha de vedação da porta do forno funciona de forma parecida com a borracha da porta da geladeira. Ela veda e garante que o calor permaneça dentro do forno durante o cozimento. Uma borracha com folgas ou ressecada obriga o aparelho a consumir mais gás para manter a temperatura e pode comprometer o resultado das receitas. Quando for fazer a limpeza, verifique se ela está intacta e bem fixada. Se notar que a porta não fecha com firmeza, provavelmente está na hora de trocar.
Em caso de dúvida sobre a instalação de gás, a ABNT NBR 13523 orienta que a verificação de tubulações e conexões deve ser feita por profissional credenciado.
Limpeza correta: o hábito que mais impacta a durabilidade
Como limpar os queimadores sem danificá-los?

Os queimadores (ou bocas) são a parte do fogão mais sujeita ao acúmulo de resíduos e também a mais sensível a uma limpeza malfeita. O processo correto começa por retirá-los do fogão quando estiverem completamente frios. Deixe-os de molho em água morna com detergente neutro por 15 a 20 minutos — esse tempo é suficiente para soltar a gordura sem precisar esfregar com força. Use uma esponja macia (não use palha de aço) ou uma escova de dentes velha para as áreas de difícil acesso.
Para desobstruir os furinhos por onde sai a chama, o ideal é usar um desentupidor próprio para isso, mas se não tiver, use um palito de dente ou alfinete fino. Mas cuidado para não alargar o orifício, isso acabará alterando a distribuição da chama e comprometendo a eficiência do queimador.
Após a limpeza, seque bem todas as peças antes de recolocá-las. Montar o fogão com os queimadores úmidos pode causar falhas no acendimento e corrosão ao longo do tempo.
Sempre faça uma limpeza simples após cada uso e uma limpeza completa com remoção dos queimadores pelo menos uma vez por semana.
Posso usar vinagre para limpar o fogão a gás?
Sim, o vinagre branco pode ser usado na limpeza na superfície externa do fogão a gás, diluído em água em partes iguais. Ele é eficaz para eliminar odores. Evite usá-lo diretamente nos queimadores de metal ou nas partes cromadas, pois a acidez pode acelerar a corrosão com o uso frequente.
Qual a frequência ideal de limpeza do forno?
O interior do forno deve ser limpo pelo menos três vezes por ano em uso moderado. Se você cozinha com frequência ou o forno recebe respingos regularmente, uma limpeza mensal é o ideal.
Respingos e derramamentos devem ser removidos o quanto antes, de preferência com o forno ainda morno, não quente. Quando deixados para depois, esses resíduos carbonizam e se tornam muito mais difíceis de remover.
Evite usar detergente ou sabão no interior do forno, a espuma pode penetrar em frestas e deixar resíduos que, ao aquecer, geram fumaça e odor. Se o aparelho tiver a função de autolimpeza, acione-a apenas após grandes derramamentos e sempre com as grades retiradas.
O que nunca usar em fogões de vitrocerâmica e indução?
O cooktop de vitrocerâmica ou indução exige atenção especial na limpeza porque a superfície de vidro risca com facilidade. Palha de aço e esponjas abrasivas estão terminantemente proibidas, uma única esfregada pode deixar marcas permanentes que comprometem tanto a estética quanto a higiene do aparelho. Para evitar arranhões, não empurre as panelas e frigideiras sobre o vidro. Ao movê-las, levante-as e ponha-as sobre a placa desejada.
A limpeza deve ser feita com o cooktop frio, usando um pano úmido com detergente neutro. Para manchas de alimentos queimados, aplique um pouco de produto específico para vitrocerâmica e aguarde alguns minutos antes de remover com pano macio.
No caso do fogão elétrico, se algum líquido cair sobre a chapa, desligue o fogão, espere a chapa esfriar e coloque uma toalha úmida com pouco sabão sobre a chapa fria e deixe agir por 2 horas. Lave em seguida.
Atenção, nunca limpe um cooktop ainda quente, o choque térmico entre o produto frio e a superfície aquecida pode criar microfissuras no vidro.
Sinais de alerta que não devem ser ignorados
A chama do fogão é um indicador direto de seu funcionamento. Uma chama azul uniforme, com leves pontas amareladas, indica boa combustão. Quando ela se torna predominantemente amarela, alaranjada ou instável, pode haver entupimento nos injetores, falha na válvula de segurança ou problema na regulagem do gás. Outros sinais que pedem atenção imediata:
- Ruídos anormais ao acender, como estalos repetidos ou chiados contínuos
- Dificuldade para manter a chama acesa mesmo após o acendimento
- Temperatura do forno irregular (pratos queimando em cima e crus embaixo, ou vice-versa)
- Cheiro de gás mesmo com o fogão desligado
Se você observar qualquer um desses sinais, acione a assistência técnica autorizada.
Com que frequência fazer a revisão técnica no fogão
A recomendação dos fabricantes e técnicos especializados é realizar uma revisão preventiva anual. Nela, o profissional verifica a regulagem das chamas, faz a limpeza dos injetores (que não é possível realizar em casa com segurança), testa o sistema de ignição, lubrica as válvulas e checa os componentes elétricos em modelos que os possuem.
Esse custo preventivo é significativamente menor do que o de uma peça substituída por falha ou do que o de um fogão trocado antes do tempo.
Vale a pena consertar o fogão ou é hora de trocar?
Essa é uma das perguntas que nós mais recebemos em nossa caixa de entrada e a resposta depende de três fatores: a idade do aparelho, o custo do conserto e a disponibilidade de peças.
Como referência, use a seguinte lógica: se o orçamento de reparo ultrapassa 50% do valor de um fogão equivalente novo, a troca costuma ser mais vantajosa. Isso é especialmente relevante para aparelhos com mais de 10 anos, onde a disponibilidade de peças começa a diminuir e outros componentes podem apresentar falhas em sequência.
Por outro lado, se o fogão tem menos de oito anos, está em bom estado geral e o problema é pontual — um queimador com defeito, uma borracha para trocar, um botão danificado — o conserto tende a compensar. Peças avulsas para as marcas mais comuns (Brastemp, Consul, Fischer, Electrolux) costumam ter boa disponibilidade nas assistências técnicas autorizadas.