A Anvisa proibiu substâncias presentes em kits de unhas em gel por oferecerem riscos à saúde. Saiba o que verificar antes de usar.
As unhas em gel se tornaram uma das maiores tendências de beleza dos últimos anos. A promessa de longa duração, brilho intenso e acabamento impecável ajudou a transformar o procedimento em rotina para milhões de pessoas. Com isso, os kits para fazer unhas de gel em casa se popularizaram bastante.
Contudo, a Anvisa colocou parte desses produtos no centro das discussões sobre segurança. Em 2025, a agência proibiu o uso de duas substâncias presentes em produtos para unhas artificiais após identificar riscos importantes à saúde.
A decisão chamou atenção principalmente porque muitos kits vendidos online ainda circulam sem informações claras sobre composição química ou regularização adequada. Fique conosco para entender o que pode fazer mal e como fazer unhas de gel em casa de forma segura.
O que a Anvisa proibiu e por que isso importa para quem faz unhas em casa
Em 2025, a Anvisa proibiu o uso das substâncias TPO e DMPT em produtos para unhas artificiais no Brasil. Segundo a agência, os compostos apresentavam riscos associados à saúde humana e passaram a ter comercialização vetada em cosméticos destinados às unhas.
A decisão acompanha movimentações regulatórias internacionais relacionadas à segurança de determinados fotoiniciadores e compostos utilizados em formulações de gel UV.
Segundo a Anvisa, a medida foi adotada após avaliações técnicas sobre potencial risco toxicológico das substâncias.
Isso importa especialmente para quem faz unhas em gel em casa porque muitos kits vendidos pela internet possuem origem desconhecida, ausência de rotulagem adequada ou composição incompleta.
Além disso, consumidores frequentemente não verificam registro, fabricante ou lista de ingredientes antes da compra. Especialistas alertam que produtos irregulares podem continuar circulando em marketplaces e importações informais mesmo após proibição oficial.
Como saber se o seu kit tem alguma dessas substâncias
A primeira recomendação é observar cuidadosamente o rótulo e a lista INCI dos produtos. A nomenclatura INCI corresponde ao padrão internacional de identificação de ingredientes cosméticos. É nela que aparecem os compostos químicos presentes no gel, base, top coat e demais produtos utilizados na esmaltação.
Segundo especialistas da área de cosméticos, produtos confiáveis costumam disponibilizar composição completa de forma transparente.
O problema é que muitos kits baratos vendidos online não apresentam rotulagem em português, informações do fabricante ou descrição detalhada dos componentes.
Entre os nomes que merecem atenção estão:
- TPO
- Diphenyl(2,4,6-trimethylbenzoyl)phosphine oxide
- DMPT
- Dimethyl-p-toluidine
A orientação é desconfiar de produtos sem procedência clara ou vendidos sem identificação adequada. Outro ponto importante é verificar se o produto possui regularização junto à Anvisa quando exigido.
O que os selos “free-from” significam e o que ainda não dizem
Depois das discussões envolvendo alergias e substâncias sensibilizantes, muitas marcas passaram a destacar selos como:
- HEMA Free
- TPO Free
- DMPT Free
Essas expressões indicam ausência de determinados compostos específicos. Mas especialistas alertam que um único selo não garante automaticamente que o produto esteja livre de todos os ingredientes potencialmente problemáticos.
O ideal é buscar confirmação explícita da ausência de HEMA, TPO, DMPT e TMPTA, além de verificar se a marca disponibiliza composição INCI completa dos produtos.
Além das substâncias proibidas: riscos que existem mesmo nos produtos regulares
Mesmo quando os produtos estão dentro das normas, o uso doméstico das unhas em gel exige cuidados que raramente aparecem nas redes sociais.
Um dos problemas mais comuns é a dermatite de contato. Segundo especialistas citados pela National Geographic, trata-se de uma reação alérgica em que a pele pode ficar vermelha, escamosa, inchada e com coceira após contato com determinados acrilatos presentes nos produtos utilizados nas unhas artificiais.
O mais preocupante é que, uma vez desenvolvida, a alergia costuma se tornar permanente. Isso significa que exposições futuras podem provocar reações ainda mais intensas.
Outro ponto importante é que os sintomas nem sempre aparecem apenas nos dedos.
Especialistas ouvidos pelo portal Dr. Consulta pontuam que as reações podem surgir em regiões como rosto, pescoço, pálpebras e até áreas mais distantes do corpo que tiveram contato indireto com as unhas. Muitas pessoas convivem com crises recorrentes sem imaginar que a origem esteja nos produtos usados nas unhas em gel.
Além disso, há o risco frequentemente ignorado das infecções fúngicas.
Ao deixar unhas artificiais por tempo excessivo, pode-se criar um ambiente úmido favorável ao desenvolvimento de fungos. Como o gel cobre a superfície da unha natural, alterações iniciais podem passar despercebidas por bastante tempo. Isso permite que infecções avancem antes mesmo de serem identificadas.
O uso incorreto da cabine UV também exige atenção
Outro ponto importante envolve o uso das cabines UV ou LED utilizadas na secagem do gel. O uso excessivo e repetitivo de radiação ultravioleta pode contribuir para envelhecimento precoce da pele das mãos.
Embora a exposição durante procedimentos estéticos seja relativamente curta, dermatologistas recomendam alguns cuidados simples, como uso de protetor solar nas mãos antes do procedimento ou luvas específicas com proteção UV.
Além disso, tempos incorretos de cura do gel podem aumentar risco de sensibilização química. Quando o produto não polimeriza corretamente, resíduos químicos podem permanecer em contato direto com a pele.
Como fazer unha de gel de forma segura?
Imagem: Seleções / Thyago Murad
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