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Mulher sofre parada cardíaca e fica cega após aplicação de botox falso: "Eu quase morri"

Autoridades apontam que ao menos outras 28 pessoas também tenham tido complicações graves após pagar menos da metade do preço por botox.

Douglas Neves | 1 de Dezembro de 2025 às 16:46

Tratamento estético quase custou a vida de mãe britânica. - Reprodução/Instagram

Quando Kaylie Bailey olha no espelho todas as manhãs, o tapa-olho que usa é um lembrete doloroso de quando um simples tratamento estético quase tirou sua vida.

A britânica de 36 anos, mãe de três filhos e moradora do condado de Durham, no nordeste da Inglaterra, jamais imaginou que economizar algumas libras pudesse resultar em uma internação na UTI, perda temporária da visão e uma parada cardiorrespiratória.

Ela pagou £75 (cerca de R$ 556) por três áreas de aplicação de “botox”, menos da metade do valor da clínica onde havia ido antes. O preço baixo parecia irresistível. Mas, dias depois, o corpo dela começou a dar sinais de que algo estava muito errado.

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Quando o barato saiu caro

No início, Kaylie sentiu apenas um pequeno desconforto nos olhos e observou que deixou sua visão estava turva e, com uma sensação de peso nas pálpebras, tinha dificuldade para manter o olho aberto.

Assustada e ciente de que algo estava muito errado, ela correu para o hospital. Os médicos, sem imaginar que se tratava de algo mais grave, suspeitaram de ptose, uma condição que provoca queda da pálpebra superior. Ela foi orientada a descansar e voltar caso piorasse.

Dias depois, Kaylie retornou ao hospital quase sem enxergar e sentindo o corpo “desligar”. Foi então que veio o diagnóstico: botulismo.

O botulismo é uma intoxicação grave causada pela toxina botulínica, a mesma substância utilizada em procedimentos estéticos, porém em versões controladas, regulamentadas e em doses seguras.

Quando aplicada de forma irregular, sem supervisão profissional, em produtos clandestinos ou contaminados, a toxina pode se espalhar pelo organismo de maneira imprevisível e provocar:

No caso de Kaylie a infecção era tão grave que ela sofreu uma parada cardiorrespiratória e precisou ser reanimada. Passou três dias na UTI, recebendo antitoxina botulínica, para impedir que a toxina se espalhasse pelo corpo.

“Lembro de estar deitada na cama e pensar: Estou morrendo aqui, e não quero”, contou ela, emocionada em entrevista à BBC.

Uma crise que atingiu outras mulheres

Kaylie não foi a única. Naquele período, 28 pessoas na região foram diagnosticadas com botulismo após realizarem procedimentos estéticos não regulamentados.

Entre elas estava Paula Harrison, de 54 anos, também mãe de três. Ela buscou a mesma esteticista para preencher olheiras e tratar rugas. Dias depois, sua garganta começou a fechar – um dos sinais mais perigosos da doença.

“Ela estava brincando com a vida das pessoas”, disse Paula. "Felizmente, estou bem, mas poderia ter morrido".

Paula também precisou de internação hospitalar e recebeu antitoxina para impedir o avanço da toxina.

O produto usado era ilegal no Reino Unido

As duas mulheres haviam sido atendidas por Gemma Gray, dona da Belissimo Aesthetics, que operava em casa e em um salão da região.

Ela aplicava Toxpia, um produto sul-coreano não licenciado para uso no Reino Unido. A venda e o fornecimento são considerados crime pela agência reguladora britânica (MHRA).

Segundo a BBC, Gray apresentava o material como um “novo tipo de botox” e cobrava valores muito abaixo do mercado.

Diferentemente do Reino Unido, onde esteticistas ainda podem realizar esse tipo de aplicação, no Brasil a regra é clara: somente profissionais de saúde habilitados com formação específica podem aplicar toxina botulínica.

A Anvisa reforçou isso em março, após receber notificações de casos de botulismo relacionados a procedimentos mal executados.

Entre as recomendações de cuidados que as pessoas devem ter ao utilizar a toxina botulínica, a agência destacou:

Hoje, Kaylie usa o tapa-olho na esperança de que sua visão melhore e tenta retomar a rotina. Ela diz que entrou em contato com a esteticista, mas recebeu apenas uma resposta evasiva de que o problema seria “nacional”, algo que as autoridades britânicas não confirmaram.

O caso continua sob investigação pela Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido, e o governo britânico discute novas regulamentações para tentar impedir que tragédias como essa se repitam.

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