O microagulhamento caseiro virou tendência nas redes sociais, mas especialistas alertam para riscos como infecções, alergias e complicações na pele. Entenda.
Quem costuma acompanhar conteúdos de beleza nas redes sociais provavelmente já se deparou com vídeos de pessoas passando pequenos rolos com agulhas pelo rosto. O procedimento, conhecido como microagulhamento, promete melhorar a textura da pele, estimular a produção de colágeno e até ajudar na aparência de manchas e cicatrizes.
O problema é que a popularização da técnica fez crescer também o número de pessoas que tentam reproduzir o procedimento em casa, muitas vezes sem orientação profissional. Com dermarollers vendidos facilmente na internet e milhares de vídeos ensinando o passo a passo, o microagulhamento caseiro virou tendência. Mas será que ele é realmente seguro?
Especialistas alertam que a resposta exige cautela! Embora o microagulhamento seja um procedimento amplamente utilizado em consultórios dermatológicos, sua versão doméstica pode trazer riscos importantes quando realizada de forma inadequada.
O que é o microagulhamento?
O microagulhamento é um procedimento que utiliza microagulhas para criar pequenas perfurações controladas na pele. Essas microlesões estimulam mecanismos naturais de reparação do organismo, favorecendo a produção de colágeno e elastina.
Em clínicas e consultórios, a técnica costuma ser indicada para auxiliar no tratamento de cicatrizes de acne, linhas finas, textura irregular da pele e alguns tipos de manchas.
Nos últimos anos, no entanto, aparelhos domésticos passaram a ser comercializados diretamente para consumidores. A promessa é oferecer benefícios semelhantes por um custo muito menor.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a diferença de preço ajuda a explicar a popularização da prática. Enquanto tratamentos profissionais podem custar milhares de reais, um dermaroller pode ser encontrado por valores bastante acessíveis na internet.
Por que o microagulhamento caseiro se tornou tão popular?
A ascensão dos vídeos de skincare no TikTok, YouTube e Instagram contribuiu diretamente para o crescimento da técnica. A facilidade de compra dos dispositivos, aliada à promessa de uma pele mais bonita sem sair de casa, despertou o interesse de milhares de pessoas.
Além disso, muitas influenciadoras compartilham resultados positivos após o uso dos aparelhos domésticos, criando a impressão de que se trata de um procedimento simples e livre de riscos.
Mas especialistas afirmam que a realidade é mais complexa.
Quais são os riscos do microagulhamento em casa?
O principal problema do microagulhamento caseiro está justamente no fato de que ele perfura a pele. Sempre que há uma ruptura da barreira cutânea, existe potencial para infecções, irritações, alergias e complicações mais graves.
Em entrevista à Folha de São Paulo, o dermatologista Renato Lima alertou: "Se a pessoa não fizer uma assepsia perfeita do rosto, ela pode acabar se infectando ao perfurar a pele que está cheia de bactérias".
Outro risco está relacionado ao uso de produtos inadequados logo após o procedimento. Como a pele fica temporariamente mais permeável, substâncias que normalmente não causariam problemas podem provocar irritações importantes.
Há ainda o perigo de utilizar o procedimento sobre lesões que exigem avaliação médica.
O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia à época da reportagem, Sergio Palma, fez um alerta importante: "Nem toda mancha pode ser tratada como melasma. Sem saber, a pessoa pode fazer um microagulhamento sobre um câncer de pele".
Segundo ele, pessoas com determinadas condições dermatológicas também precisam de avaliação especializada antes de realizar o procedimento.
O microagulhamento caseiro realmente funciona?
Quando o assunto é resultados, os especialistas costumam fazer uma distinção importante entre os dispositivos domésticos e os utilizados por profissionais. De acordo com informações da MDPen, empresa especializada na área, aparelhos domésticos geralmente trabalham em profundidades menores e tendem a produzir resultados mais superficiais.
A empresa destaca que os tratamentos realizados por profissionais utilizam equipamentos com maior precisão, profundidade controlada e condições adequadas de esterilização. A dermatologista Deanne Mraz Robinson, ouvida pela Healthline, explicou que os dispositivos caseiros costumam proporcionar benefícios mais discretos.
“Tratamentos feitos em casa raramente alcançam profundidade suficiente para gerar resultados dramáticos, mas podem melhorar a esfoliação e a absorção de produtos.”
Vale a pena investir em um dermaroller?
A resposta depende dos objetivos e do perfil de cada pessoa. Quem busca apenas uma melhora discreta na aparência da pele pode encontrar algum benefício nos dispositivos domésticos quando utilizados corretamente e com todos os cuidados de higiene recomendados.
Por outro lado, quem deseja tratar cicatrizes de acne mais profundas, rugas marcadas ou alterações importantes de textura dificilmente alcançará os mesmos resultados obtidos em ambiente profissional.
O próprio debate entre especialistas continua em evolução. Estudos sobre microagulhamento ainda avançam, e alguns dermatologistas defendem que mais pesquisas são necessárias para consolidar determinadas indicações da técnica.
Afinal, o microagulhamento caseiro é seguro?
O microagulhamento caseiro não é necessariamente proibido, mas está longe de ser um procedimento isento de riscos. A combinação de perfurações na pele, possibilidade de contaminação, uso inadequado de produtos e ausência de avaliação profissional faz com que dermatologistas recomendem cautela.
Antes de seguir uma tendência viral, vale lembrar que nem tudo o que funciona para uma influenciadora será seguro para todos os tipos de pele. Quando o objetivo é tratar problemas específicos ou obter resultados mais expressivos, a avaliação de um dermatologista continua sendo o caminho mais seguro.
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