Tendência que voltou a circular nas redes promete bronzeado sem sol, mas especialistas alertam para os riscos associados.
Promessas de um “bronzeado sem sol” voltaram a ganhar força nas redes sociais após vídeos curtos de influenciadores indicando sprays nasais como um atalho rápido para “pegar cor” sem precisar se expor ao sol viralizarem na internet. A tendência, impulsionada pela chegada do verão e das férias, tem atraído especialmente jovens e acendeu um alerta entre dermatologistas.
Esses produtos, geralmente vendidos pela internet, prometem estimular o bronzeado a partir de substâncias inaladas. O problema é que, em muitos países, eles não são regulamentados como medicamentos ou cosméticos. Na prática, isso significa ausência de controle rigoroso sobre composição, dosagem e segurança.
O que é o spray de bronzeamento nasal e por que ele preocupa?
Segundo a dermatologista Denise Ozores (CRM-SP 101677 | RQE 7349), especialista em beleza natural, boa parte desses sprays está associada ao uso de Melanotan II, uma substância que estimula artificialmente a produção de melanina, o pigmento responsável pela cor da pele.
O ponto central da preocupação médica está na forma de uso e falta de controle. Por ser inalado, o produto é rapidamente absorvido pelo organismo e chega à corrente sanguínea sem qualquer garantia de dose segura. Quem usa não tem clareza sobre o que está absorvendo nem sobre como o corpo pode reagir, especialmente a médio e longo prazo.
“Estamos falando de um produto inalado, que vai direto para a corrente sanguínea, sem controle de dose ou segurança comprovada. A pessoa não sabe exatamente o que está absorvendo nem como o corpo vai reagir”, alerta a especialista.
Além disso, como não há padronização nem fiscalização adequada, a composição real do spray pode variar bastante de um vendedor para outro, o que amplia ainda mais os riscos.
Falsa sensação de proteção e exposição maior ao sol
Na rotina clínica, a dermatologista observa um efeito comum entre quem recorre a esse tipo de produto: a falsa sensação de segurança.
“A pessoa acredita que está ‘protegida’ ou preparada para o sol e acaba se expondo mais. Isso aumenta o risco de manchas, sensibilidade e danos que não aparecem de imediato”, relata Ozores.
Esse comportamento pode favorecer o surgimento de manchas, aumento da sensibilidade da pele e danos que nem sempre aparecem de imediato. Além disso, relatos internacionais associam o uso do spray nasal a efeitos adversos como náuseas, reações cutâneas e alterações em pintas, o que reforça a necessidade de cautela.
Vale lembrar que o bronzeado, mesmo quando chamado de “natural”, é uma resposta de defesa da pele à agressão solar. Ou seja: não é sinal de saúde, mas de que a pele está tentando se proteger.
Para especialistas, o ressurgimento do spray nasal está diretamente ligado à lógica das redes sociais, onde soluções rápidas e resultados visuais chamam mais atenção do que explicações médicas. A cultura do “atalho estético” cria a ilusão de que é possível mudar a aparência sem consequências.
No entanto, quando o assunto é pele, isso não se sustenta. A pele tem memória. Os danos acumulados hoje, seja por exposição excessiva ao sol, seja pelo uso de substâncias sem segurança comprovada, podem se manifestar anos depois, na forma de manchas persistentes, envelhecimento precoce e aumento do risco de câncer de pele.
Existem alternativas mais seguras?
Para quem busca apenas um efeito estético, sem exposição solar, há opções mais seguras disponíveis no mercado. Autobronzeadores e sprays corporais aprovados atuam apenas na superfície da pele, sem serem absorvidos pelo organismo e sem interferir nos mecanismos internos de produção de melanina.
Ainda assim, dermatologistas reforçam que nenhum produto substitui cuidados básicos. O uso diário de protetor solar, a reaplicação correta e a exposição consciente continuam sendo indispensáveis, especialmente no verão brasileiro.