✕

Consumidor, fique atento a estas 10 maneiras de acertar nas contas

O consumidor fica atraído por promoções e precisa ter cuidado na hora de comprar para não ser pego por uma falsa redução dos valores.

Elen Ribera | 21 de Fevereiro de 2020 às 20:00

- Nerthuz / iStock

Há duas razões para que até o consumidor mais consciente caia nos truques do varejo. Primeira: ele não sabe quanto tudo deveria custar, e assim o cérebro comprador usa apenas o que é capaz de perceber: dicas visuais, emoções provocadas e a sensação de pechincha ou de exploração. Somos apenas suscetíveis. Segunda: embora gastemos um dinheiro contado, tomamos decisões com base em pistas e semipensamentos que se traduzem num analfabetismo numérico.

Veja também 5 maneiras de economizar nas compras online.

Por Derek Thompson

RELACIONADAS

Unhas amareladas podem ser sinal de glicose alta? Veja o que dizem os especialistas

47 frases motivacionais curtas para foto sozinha

35 frases em inglês para bio para impressionar nas redes

1. Adoramos ter mais de tudo

Você entra numa padaria e vê duas ofertas: a primeira oferece 33% de café a mais pelo mesmo preço; a segunda é um desconto de 33% no preço normal. Qual delas é melhor? Se você responder que são praticamente iguais, vai errar. Imaginemos um mundo no qual três litros de café custem R$ 1 (R$ 0,33 o litro).

Na primeira oferta, você compra quatro litros por R$ 1 (R$ 0,25 o litro) e na segunda, e melhor, você compra três litros por R$ 0,66 (R$ 0,22 o litro). O que fazemos é a matemática emocional: receber alguma coisa a mais “de graça” dá uma sensação melhor do que obter o mesmo por menos.

2. Somos muito influenciados pelo preço que vemos primeiro

Você entra numa loja chique e vê uma bolsa de R$ 7 mil. “Que absurdo!”, diz. “Sete mil por uma bolsa!” Então vê um relógio lindo por R$ 900. Comparado a outros, é um relógio caríssimo. Mas, comparado a R$ 7 mil, é uma pechincha. Dessa maneira, as lojas “massageiam” ou “ancoram” as nossas expectativas de gasto.

3. Fugimos de preços altos e baixos

Pesquisadores ofereceram a voluntários dois tipos de cerveja: premium por R$ 2,50, e outra, baratinha, por R$ 1,80. Cerca de 80% escolheram a cerveja mais cara. Depois foi adicionada uma terceira cerveja, baratíssima, por R$ 1,60. O resultado foi: 80% escolheram a cerveja de R$ 1,80; o restante comprou a cerveja de R$ 2,50.

Ninguém comprou a opção mais barata. No terceiro painel, os pesquisadores retiraram a cerveja de R$ 1,60 e a substituíram por uma superpremium de R$ 3,40. A maioria escolheu a de R$ 2,50; um pequeno número, a de R$ 1,80; e cerca de 10% optaram pela cerveja mais cara. Em resumo: gostamos de ficar na média. 10 dicas para negociar melhor e pagar menos.

4. Gostamos de pechincha quando vemos como pechincha

No livro Priceless (Sem preço), o escritor americano William Poundstone explica o que aconteceu quando uma grande empresa varejista pôs uma máquina de fazer pão de US$ 429 ao lado do modelo que custava US$ 279: a venda do modelo mais barato dobrou, embora praticamente ninguém comprasse o modelo de US$ 429.

Lição: quando não conseguir vender um produto, tente expô-lo ao lado de algo quase igual mas com o dobro do preço. Isso fará o primeiro produto parecer uma pechincha. Você precisa mesmo comprar?

5. Se podemos ver, queremos

Os economistas comportamentais adoram fazer experiências em escolas e descobriram que acender luzes sobre frutas e pôr um balcão de saladas no caminho dos doces faz as crianças comerem mais frutas e saladas. Mas os adultos são igualmente suscetíveis a esses truques. Restaurantes astutos, por exemplo, usam coisas simples como fotos e quadros nos cardápios a fim de atrair os olhos para os itens mais lucrativos.

Quando um item do cardápio estiver em destaque num quadro, ou for ilustrado, provavelmente é um produto com margem de lucro elevada que o restaurante torce para que você veja e peça.

6. Deixamos que emoções nos dominem

Numa experiência mencionada no livro de William Poundstone, oferece-se aos voluntários uma certa quantia em dólar, entre 1 a 10. Os valores considerados baixos “demais” (digamos, US$ 1) ativaram o córtex insular, “que costuma ser estimulado pela dor e pelo mau cheiro”. Quando nos sentimos explorados, ficamos indignados, mesmo se a oferta for boa. Poundstone iguala isso à experiência do frigobar.

É tarde, você está com fome, há um chocolate lá, mas você se ofende tanto com o preço alto que passa fome para evitar a sensação de ser explorado. O outro lado da moeda é que as pechinchas fazem a gente se sentir bem. Até o item mais inútil do mundo fica atraente se o preço parecer baixíssimo.

7. Álcool e exaustão nos deixam mais burros

Quando estamos bêbados, estressados, cansados ou desatentos por alguma outra razão, é mais provável só conseguirmos fazer e responder às perguntas mais simples sobre as compras. Chocolates e chicletes baratos ficam perto do caixa do supermercado porque é quando aumenta a probabilidade de fregueses exaustos cederem a tentações sem prestar atenção ao preço.

Almoços com bebidas são bons para fechar acordos comerciais porque o álcool estreita a faixa de fatores complicadores que conseguimos manter na cabeça ao mesmo tempo.

8. Detestamos pagar cada pequena transação

Numa coluna sobre finanças pessoais, a jornalista Megan McArdle implorou aos leitores que abandonassem pagamentos regulares, como filiação a academias e serviços que não usam. “Não compre o que você não consome” parece um conselho óbvio, mas Megan tem razão.

Em parte, assinaturas e filiações nos atraem porque buscamos evitar o custo da transação. Preferimos pagar um pouco mais do que sofrer a dor psicológica de puxar a carteira e ver o dinheiro diminuir a cada sessão na academia, ida ao cinema etc.

9. Adoramos garantias

Embora os consumidores tentem evitar pagamentos adicionais, há um que adoramos: garantias. Ela compra paz de espírito (“Agora posso ter essa coisa para sempre sem me preocupar com ela!”). Mas isso é mais um truque. “Em termos racionais, as garantias não fazem sentido”, disse ao Washington Post David Cutler, economista de Harvard. “A probabilidade implícita de que o produto enguice tem de ser substancialmente maior que o risco de que você não possa pagar pelo conserto ou pela substituição.” Como observa Cutler, a garantia geralmente não vale o dinheiro pago a mais. Você já ouviu falar da Dieta do Cartão de Crédito?

10. Somos obcecados pelo número 9

Até 65% de todos os preços do varejo terminam em 9. Por quê? Todo mundo sabe que R$ 20 e R$ 19,99 são a mesma coisa. Mas o número 9 nos conta uma história simples: este produto teve um desconto. Ele é barato. O preço deste produto foi dado por quem sabe que a gente gosta de coisas baratas e com desconto. Esse recurso é apenas mais uma armadilha.

Compartilhe: