✕

Como o uso indiscriminado de antibióticos cria superbactérias

Entenda como o uso inadequado de antibióticos pode desenvolver superbactérias no organismo e ocasionar uma nova pandemia.

Thaís Garcez | 24 de Novembro de 2020 às 12:00

ilkaydede/iStock -
Imagem: Badmanproduction/iStock

Uma nova pandemia pode surgir em breve, mas dessa vez causada por superbactérias. O motivo? O uso indiscriminado de antibióticos. O hábito de prescrever desnecessariamente esse tipo de medicamento, e seu uso equivocado por parte dos pacientes, tem gerado mutações mais resistentes.

Atualmente, as infecções bacterianas têm sido as maiores causadoras de mortes pelo mundo. E com a perda de eficácia no combate por meio de antibióticos essa situação tende a se agravar nos próximos anos.

Antibióticos podem criar superbactérias

As bactérias fazem parte da nossa vida e da nossa constituição humana. No nosso corpo, carregamos bactérias que são benéficas para o funcionamento adequado dos nossos órgãos. Entretanto, existem algumas bactérias que nos causam doenças e precisam ser exterminadas.

RELACIONADAS

Você escolheria uma dessas? As profissões mais felizes do planeta

Histórias engraçadas para se divertir neste sábado

Ministério da Saúde reforça importância da doação de sangue para manter estoques em todo o país durante Carnaval: "pode fazer a diferença"

Imagem: Manjurul/iStock

Para que isso ocorra é necessário recorrer aos antibióticos. Porém, existem bactérias fracas, que são facilmente eliminadas com remédio, e fortes, que resistem aos medicamentos. As que não morrem permanecem no nosso organismo e podem até mesmo proliferar e gerar novas infecções.

Mas por que isso acontece? Existem alguns motivos para esse diagnóstico, mas o principal é o uso descontrolado de antibióticos, tanto em hospitais quanto pela população.

Para adquirir um antibiótico é necessário ter uma receita controlada. A farmácia retém a segunda via da prescrição com o objetivo de gerar um relatório de controle para a Anvisa e demais vigilâncias sanitárias da venda desses produtos. No Brasil, mais de 120 substâncias estão inseridas na lista de antimicrobianos sujeitos à retenção.

Se o uso é interrompido antes do período estipulado, por exemplo, pode acarretar na resistência das bactérias consideradas fortes; tornando-as superbactérias. Se um antibiótico é receitado sem necessidade, também.

Portanto, é muito importante seguir corretamente o uso dos antibióticos e utilizá-los somente quando houver prescrição médica. Já os profissionais de saúde precisam avaliar cautelosamente se é indispensável ou não o seu uso.

Principais ações de controle

Órgãos de saúde do mundo todo já estão cientes desse cenário. Em 2015, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, foi assinada uma declaração para coordenar os países-membros na busca por antibióticos mais eficientes.

Leia também: cientistas trabalham em um novo antibiótico capaz de combater 300 tipos de bactérias

Imagem: AlexRaths/iStock

Além disso, em 2017, o Brasil lançou o Plano de Ação em Resistência aos Antimicrobianos. Entre as principais medidas estão o incentivo de pesquisas na área – na busca por um medicamento mais potente – e o aumento no controle de prescrições e de uso de antibióticos sem receita médica.

Empresas de medicamentos também estão envolvidas nessa missão. Recentemente, mais de 20 empresas farmacêuticas e de biotecnologia criaram o Fundo de Ação contra a Resistência a Antimicrobianos (AMR). O objetivo é desenvolver de 2 a 4 novos antibióticos até 2030.

Todos esses esforços têm uma grande motivação. O aumento de superbactérias resistentes precisa ser freado, pois projeções mostram que, se nada for feito, mais de 10 milhões de pessoas poderão morrer até 2050. A boa notícia é que ainda dá tempo evitar o pior.

Por Thaís Garcez

Compartilhe: