Veja quais são os municípios brasileros com maior índice de pessoas com obesidade e entenda a possível causa disso.
Thyago Murad | 27 de Fevereiro de 2026 às 09:30
A obesidade no Brasil tem crescido de forma acelerada nas últimas décadas e hoje representa um dos maiores desafios de saúde pública do país. Dados da pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde, mostram que a obesidade entre adultos brasileiros aumentou 118% entre 2006 e 2024, atingindo cerca de 1 em cada 4 pessoas, o que representa um salto preocupante nos índices nacionais.
Esse avanço está ligado a mudanças no padrão alimentar, com maior consumo de alimentos ultraprocessados e redução do consumo de alimentos in natura, além de estilos de vida mais sedentários. A obesidade é considerada uma doença crônica e multifatorial, que eleva o risco de outras condições como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares.
Em meio a esse cenário, um levantamento feito a partir de dados municipais revela quais são as 10 cidades brasileiras onde a proporção de adultos com obesidade é mais alta, destacando a magnitude do problema em diferentes regiões do país.
Os números demonstram que em algumas cidades mais da metade da população adulta vive com obesidade, um quadro que supera médias nacionais e que preocupa autoridades de saúde e especialistas. Grandes concentrações de obesidade são especialmente visíveis em municípios do estado de São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná, com destaque também para uma cidade no nordeste (Paraíba) e outra em Santa Catarina.
Especialistas ouvidos na pesquisa destacam que a obesidade não tem uma causa única, mas está associada a múltiplos fatores que se combinam no estilo de vida moderno. A adoção generalizada de alimentos industrializados e ultraprocessados, muitas vezes ricos em calorias vazias e pobres em nutrientes, vem substituindo dietas mais equilibradas baseadas em alimentos naturais.
Ao mesmo tempo, a prática de atividade física tem diminuído no dia a dia da população, seja por motivos de trabalho, deslocamento ou tempo livre. Isso reduz o gasto energético e favorece o acúmulo de peso. A combinação de dieta inadequada e falta de movimento cria um ambiente propício ao aumento constante da obesidade.
“O consumo de ultraprocessados, inatividade física, tudo que comentamos sempre sobre o estilo de vida moderno tem se demonstrado os motores desse crescimento. Tivemos uma pequena melhora da atividade física no lazer na Vigitel, mas todo o restante mostra que as políticas públicas e a condução da prevenção da obesidade têm sido falhas e infelizmente não vão conseguir conter essa crise. Ao longo do tempo vemos apenas crescer o percentual da obesidade”, explica ao Globo Neuton Dornelas, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
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