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Retirar o útero acaba com a TPM? Estudo mostra que sintomas persistem em até 80% das mulheres

A ginecologista Dra. Ana Maria Passos explica que a TPM é causada por oscilações hormonais, não pela presença do útero.

Douglas Neves | 21 de Fevereiro de 2026 às 09:00

Estudo revela que 75% a 85% das mulheres ainda sentem TPM após a histerectomia. - Freepik

Muitas mulheres que enfrentam sintomas intensos de tensão pré-menstrual (TPM) acreditam que a retirada do útero pode ser a solução definitiva para acabar com o problema. Afinal, se não há mais menstruação, não haveria também os desconfortos, certo? Não exatamente.

Um estudo publicado em 2022 no Journal of Women’s Health, que analisou 1.200 mulheres após histerectomia (retirada do útero), revelou que entre 75% e 85% delas continuaram apresentando sintomas típicos de TPM mesmo sem sangramento menstrual. De acordo com o estudo, isso acontece porque a TPM depente dos hormônios e não do útero.

A TPM não depende do útero

A ginecologista Dra. Ana Maria Passos, especialista em saúde da mulher 40+, explica que a TPM está ligada às oscilações de estradiol e progesterona ao longo do ciclo menstrual; esses hormônios são produzidos pelos ovários, não pelo útero.

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"Antes da menstruação, há uma queda importante da progesterona, o que desencadeia sintomas como mudanças de humor, irritabilidade, ansiedade, cólicas, dor na mama e enxaqueca. Mesmo sem útero, os ovários continuam produzindo hormônios normalmente, mantendo essas oscilações e os sintomas pré-menstruais intactos."

Ou seja, quando apenas o útero é retirado, o ciclo hormonal continua acontecendo. O que desaparece é o sangramento.

Retirar os ovários acaba com a TPM?

A retirada dos ovários, chamada ooforectomia, muda completamente o cenário. Nesse caso, a mulher entra em menopausa cirúrgica, com queda abrupta de estradiol e progesterona.

O impacto pode ser intenso. Fogachos, ressecamento vaginal e alterações de humor costumam surgir rapidamente. Além disso, dados da North American Menopause Society (2023) apontam que o risco de osteoporose pode ser até 50% maior após a remoção ovariana precoce, além de haver aumento do risco cardiovascular e possível declínio cognitivo.

"Quem retira só o útero continua com oscilações hormonais e sintomas; quem tira os ovários entra em menopausa abrupta, com complicações graves para a saúde a longo prazo", alerta a Dra. Ana Maria Passos.

Por que os sintomas continuam?

Mesmo sem menstruação, o corpo mantém um “ciclo invisível”. A cada mês, ocorre a variação hormonal que antecederia a menstruação. É nesse momento que surgem irritabilidade, ansiedade, enxaqueca, dor nas mamas e cólicas.

"Isso faz cair a qualidade de vida, pois acontece todo mês, atrapalhando o desempenho profissional e a interação com colegas", pontua a especialista.

Como aliviar os sintomas após a histerectomia

A boa notícia é que existem formas de reduzir os desconfortos. Adotar hábitos saudáveis tem um papel fundamental no alívio dos sintomas. A prática regular de atividade física ajuda a equilibrar neurotransmissores e hormônios. Uma alimentação anti-inflamatória, rica em fibras, contribui para melhorar a microbiota intestinal e a metabolização do estrogênio, reduzindo a chamada dominância estrogênica, associada a muitos sintomas da TPM.

O acompanhamento médico também é essencial, mesmo após a retirada do útero. Em alguns casos, terapias hormonais, como reposição de progesterona, podem ser indicadas — especialmente em situações de perimenopausa, endometriose, adenomiose ou transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM), forma mais severa da TPM.

"Melhorar a dominância estrogênica com exercício, alimentação, adequação da microbiota e reposição progesterona equilibra os sintomas, promovendo longevidade saudável", recomenda a Dra. Ana Maria Passos.

Outro ponto importante é o apoio emocional. Entender que as oscilações continuam acontecendo pode evitar conflitos e julgamentos.

"É essencial conversar abertamente sobre o tratamento em busca de melhora, pois a reação deles influencia diretamente o bem-estar da mulher", orienta a médica.

Desmistificar a ideia de que a histerectomia “cura” a TPM é fundamental. Muitas mulheres optam pela cirurgia após terem filhos, acreditando que o útero seja o responsável pelos sintomas. No entanto, a produção hormonal ovariana segue ativa ou, se interrompida abruptamente, pode trazer consequências ainda mais complexas.

"Mulheres pensam que o útero é o vilão, mas os ovários mantêm a produção hormonal. Retirá-los piora tudo, com sintomas relacionados ao declínio hormonal de forma abrupta, risco de osteoporose, declínio cognitivo e riscos cardiovasculares", conclui a especialista.

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