Saiba detalhes sobre o que é polilaminina e entenda a luta de pacientes na justiça para ter acesso ao uso do remédio experimental.
Thyago Murad | 3 de Março de 2026 às 13:00
Você sabe o que é polilaminina? Essa substância experimental virou pauta na imprensa brasileira ao ser usada com sucesso para a recuperação do movimento de pacientes paralíticos. Por isso, indivíduos com lesão medular estão recorrendo à justiça para tentar ter acesso a essa droga.
Apesar de parecer ter um uso promissor, os especialistas pedem cautela e lembram que a substância ainda está em fase inicial de pesquisa e não tem comprovação científica completa de eficácia.
A substância surgiu de pesquisas desenvolvidas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, a UFRJ, em parceria com o laboratório brasileiro Cristália. A substância é derivada da laminina, uma proteína naturalmente presente no organismo e fundamental no desenvolvimento do sistema nervoso.
O composto está sendo estudado por sua capacidade potencial de facilitar a regeneração de conexões nervosas na medula espinhal, uma área que, quando lesionada, compromete o envio de comandos do cérebro para o corpo.
Como citamos, o interesse pela polilaminina veio à tona após alguns casos relatados de pacientes com lesão medular que receberam a substância em contexto experimental e apresentaram melhora na função motora.
Por isso, pacientes e familiares começaram a buscar decisões judiciais para garantir o acesso à substância fora dos ensaios clínicos oficiais. Segundo dados recentes, mais de 50 pedidos de acesso compassivo à polilaminina foram levados à Justiça, e várias decisões já permitiram que pacientes recebessem o tratamento antes de sua aprovação regulamentar.
A polilaminina ainda não é um medicamento autorizado para uso clínico rotineiro. O que existe até agora é um estudo clínico de fase 1 autorizado pela Anvisa, voltado a avaliar a segurança da substância em um pequeno grupo de pacientes com lesões agudas na medula espinhal.
Essa fase inicial é fundamental para entender possíveis riscos e efeitos adversos antes que o tratamento possa avançar para etapas posteriores de pesquisa, que envolvem eficácia e dosagem adequada.
Em entrevista ao SBT, uma especialista explica que para garantir bons resultados é necessário aplicar o remédio dentro de uma janela de 72 horas ou até três meses da ocorrência da lesão no paciente.
Atualmente é possível que sejam feitas solicitações por parte dos afetados aos hospitais e laboratórios para que os mesmos solicitem à Anvisa a autorização da administração da medicação, mas que por vezes, esse processo pode durar mais de três meses.
Vale ressaltar que embora a polilaminina represente um avanço promissor da ciência brasileira em biomedicina regenerativa, o cenário atual ainda está longe de transformá-la em uma terapia validada e amplamente disponível. A esperança dos pacientes é legítima, mas especialistas enfatizam que essa expectativa precisa estar alinhada ao método científico e aos processos de comprovação que garantem segurança e eficácia para toda a população.
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