Entenda a nova pesquisa que investiga o uso de cannabis em idosos com Alzheimer e promete revolucionar os tratamentos da doença.
Um novo estudo conduzido pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) sugere que o uso de pequenas doses de cannabis podem trazer benefícios cognitivos para idosos com Alzheimer leve. A pesquisa, descrita como pioneira, marca um passo importante na busca por tratamentos mais suaves e seguros para essa doença.
Entenda a pesquisa
A ideia central do ensaio científico é testar microdoses de um extrato de cannabis que combina THC, o tetrahidrocanabinol, e CBD, o canabidiol, em concentrações tão baixas que não provocam efeitos psicoativos, ou a famosa ‘sensação de barato’ tipicamente associada ao uso da cannabis.
Os participantes do estudo eram idosos com Alzheimer leve, e receberam diariamente esse extrato por 24 semanas, ou cerca de seis meses, em um ensaio clínico randomizado com indivíduos que receberam doses de cannabis e um placebo. Os resultados apontaram para uma estabilização cognitiva no grupo tratado com a cannabis frente ao grupo placebo, que apresentou ligeira piora no mesmo período. Para medir isso, os pesquisadores usaram a escala ADAS-Cog, amplamente utilizada para avaliar a função cognitiva em pacientes com demência.
Embora a melhora tenha sido sutil e restrita a uma subescala específica, os autores da pesquisa consideram esse achado relevante e em pacientes com comprometimento leve, evitar qualquer declínio cognitivo já pode representar um efeito significativo.
Por que este estudo é tão relevante
O Alzheimer é uma das mais importantes doenças neurodegenerativas da atualidade, e as terapias existentes apenas conseguem desacelerar a progressão, sem oferecer cura. Se confirmada em estudos futuros, a estratégia do uso de microdoses de cannabis poderia oferecer um novo horizonte no quesito de tratamentos eficazes, menos invasivos e com baixo risco de efeitos colaterais para o Alzheimer.