Conheça detalhes da história da australiana que recebeu uma doação de útero de sua mãe para poder engravidar.
Thyago Soares | 26 de Dezembro de 2025 às 10:02
Uma mulher australiana gerou um filho no útero transplantado de sua própria mãe, em um procedimento raro que se tornou um marco na medicina reprodutiva por combinar transplante uterino bem-sucedido e fertilização in vitro.
Essa história curiosa é da australiana Kirsty Bryant, que perdeu o útero aos 28 anos após uma hemorragia grave. Em 2021, após o nascimento da primeira filha, Violet, Kirsty precisou passar por uma histerectomia, cirurgia para remover o útero, o que a deixou impossibilitada de engravidar novamente.
Mesmo assim, o desejo de ter outro filho permaneceu forte. Ela então recorreu à própria mãe, Michelle, hoje com 56 anos, para saber se ela toparia passar por uma histerectomia e doar o útero e a resposta foi imediata e positiva, segundo a mesma relatou em entrevista ao Motherhood Podcast.
O procedimento, realizado no início de 2023, envolveu cerca de 11 horas de cirurgia para retirar o útero de Michelle e outras quatro horas para o transplante em Kirsty. Após desafios no pós-operatório, como perda de sangue e necessidade de transfusões, o transplante foi considerado um sucesso.
Em pouco mais de um mês, Kirsty vivenciou a sua primeira menstruação após o transplante.
Antes mesmo da cirurgia, Kirsty e o marido, Nick, já haviam iniciado o processo de fertilização in vitro, preparando embriões para transferência. Três meses após a primeira menstruação pós-transplante, o casal agendou a transferência do embrião, que resultou na gestação do bebê Henry. Ele nasceu em dezembro de 2023, tornando-se o primeiro bebê da Austrália a nascer de um útero transplantado, o mesmo órgão que originalmente havia gestado a mãe décadas antes.
Após o nascimento de Henry, Kirsty continuou usando medicação imunossupressora para evitar a rejeição do útero, mas em setembro de 2024 anunciou que não pretendia tentar outra gestação. Com essa decisão, ela passou por uma nova histerectomia e conseguiu interromper o uso de medicamentos que podem ter efeitos adversos a longo prazo.
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