Veja métodos naturais que podem ajudar a menstruação a descer ou para antes do tempo, e entenda quando é seguro usar cada um deles.
Ana Luiza Vasconcelos e atualizado por Douglas Ferreira | 6 de Junho de 2022 às 16:00
Seja por causa de uma viagem especial ou um evento importante, muitas mulheres já se perguntaram se era possível adiantar ou até interromper a menstruação. A boa notícia é que existem alguns métodos naturais e medicamentosos que podem ajudar a controlar a menstruação, mas é fundamental entender o que realmente funciona, quais são apenas crenças populares e quais podem trazer riscos para a saúde.
Segundo ginecologistas, manipular o ciclo menstrual não é necessariamente perigoso, mas deve ser feito com cautela e acompanhamento médico, já que o organismo de cada mulher responde de maneira diferente. Métodos caseiros, como chás e infusões, podem até estimular contrações uterinas em algumas situações, mas não substituem a orientação de um especialista.
Para ajudá-la a entender melhor o assunto, nós separamos os métodos mais citados para adiantar ou reduzir o fluxo menstrual e consultamos especialistas para entender quais têm alguma base científica, quais são apenas mitos e quais alternativas médicas são realmente seguras. Assim, poderá tomar decisões mais conscientes sobre o próprio corpo, sempre com responsabilidade e informação de qualidade.
Do ponto de vista médico, a menstruação é o resultado natural da descamação do endométrio — o tecido que reveste o útero quando não ocorre gravidez. Por isso, adiantar ou interromper o ciclo, em si, não costuma causar danos imediatos à saúde, desde que seja feito de forma consciente e com orientação profissional.
A ginecologista Mariane Nunes de Nadai (RQE 38309), professora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP (Universidade de São Paulo), explica que a menstruação é apenas o descarte de um tecido que não será utilizado, sendo assim, interromper ou adiantar o ciclo pode ser perfeitamente seguro em determinados casos.
No entanto, nem todos os especialistas concordam e muitos defendem que, se a descamação do endométrio acontece naturalmente, ela não deve ser vista como algo inútil. Alguns especialistas apontam que a menstruação também pode funcionar como um importante marcador de saúde, ajudando a identificar alterações hormonais, síndrome dos ovários policísticos, endometriose e até doenças metabólicas.
Para a ginegolosita e obstetra Halana Faria (CRM/SP167760) interferir no ciclo sem avaliação médica pode atrasar diagnósticos importantes e gerar complicações a longo prazo. Sendo assim, qualquer tentativa de manipular o ciclo menstrual, mesmo com métodos naturais, deve ser feita com cautela e acompanhamento médico especializado.
Em resumo: não há consenso absoluto. Alterar o ciclo pode ser possível e até indicado em alguns casos, mas sempre sob acompanhamento médico para avaliar riscos, contraindicações e impacto no equilíbrio hormonal.
ATENÇÃO! Procure um ginecologista com urgência se você apresentar:
Ao longo da história, diversas culturas utilizaram ervas, infusões e técnicas naturais para tentar aliviar sintomas do ciclo menstrual ou estimular o início da menstruação. Embora alguns desses métodos tenham resplado em estudos preliminares, a maioria ainda carece de comprovação científica robusta. Sendo assim, é importante encarar essas alternativas como práticas complementares e nunca como substitutas de uma avaliação médica.
O gengibre é uma raiz amplamente estudada por seus benefícios anti-inflamatórios e circulatórios. Conhecido por ajudar com as dores da artrite, má circulação, pressão alta, dores musculares, colesterol alto, resfriado, gastrite e até mesmo no emagrecimento, pesquisas recentes indicam que o chá de gengibre pode também estimular contrações uterinas leves. Sendo assim, essa bebida pode servir de ajuda na regulação do ciclo de mulheres com menstruação irregular. No entanto, é importante ressaltar que o uso excessivo pode ter efeitos adversos, como diarreia ou irritação gástrica.
Como fazer e usar o chá de gengibre: ferva 2 a 3 cm da raiz fresca em uma xícara de água por 10 minutos e beba até 2 a 3 vezes ao dia.
Tradicionalmente usado em algumas regiões do Brasil, as folhas de rabanete têm saponinas e alcaloides que podem provocar contrações no útero, auxiliando o corpo a iniciar o ciclo menstrual. Contudo, apesar do uso popular, faltam estudos clínicos sólidos para confirmar eficácia.
Como fazer e usar o chá de gengibre: bater 5 a 6 folhas com 150 ml de água e consumir até 2 vezes ao dia.
Quem pensa que o orégano é apenas um complemento da pizza está enganado. O orégano tem ação estimulante na circulação e pode auxiliar no equilíbrio hormonal. Essa combinação pode contribuir para um leve impulso no início da menstruação, especialmente em casos de ciclos irregulares.
Além disso, o chá de orégano também traz muitos benefícios como controle de pressão arterial, auxílio em tratamentos de insônia, ação antibacteriana e anti-inflamatória, entre outras vantagens. Mas vale lembrar que os efeitos variam de pessoa para pessoa e que o chá deve ser usado com cautela, sempre considerando orientação médica se houver suspeita de gravidez.
Como fazer e usar o chá de gengibre: Coloque 1 xícara de água fervente sobre 1 colher (sopa) de orégano durante 5 minutos. Espere ficar morno, coe, e beba de 2 a 3 vezes por dia.
Apesar de não ser uma das ervas mais famosas desta lista, sene também entra aqui como uma das que estimulam a contração do útero. Ele é famoso por seu efeito laxante, mas também pode influenciar o útero. Isso acontece porque ele contém substâncias que provocam contrações nos músculos lisos — os mesmos presentes no trato intestinal e no útero. Essas contrações podem contribuir para iniciar o fluxo menstrual, mas o uso frequente ou em excesso não é recomendado, pois pode desregular o intestino e causar desconforto e cólicas intestinais. Além disso, por ter um efeito laxante, é normal que após tomar o chá ocorra episódios de diarreia, principalmente se essa pessoa não estiver sofrendo de prisão de ventre.
Como fazer e usar o chá de sene: Coloque 2 gramas de folhas de sene em uma xícara com água fervente e deixe repousar por 5 a 10 minutos. Depois coe e beba de 2 a 3 vezes por dia.
Atenção: evite o consumo contínuo dos chás listados acima e nunca utilize sem avaliação médica se houver chance de gravidez.
Além dos chás, o estilo de vida também pode impactar diretamente o ciclo menstrual. Alguns fatores naturais, muitas vezes negligenciados, podem adiantar, atrasar ou até mesmo interromper temporariamente a menstruação.
Um dessas coisas que podem afetar o ciclo é o sexo. Durante a relação sexual, especialmente quando há prazer e orgasmo, o útero tende a se contrair e dilatar. Esse processo pode favorecer o início do fluxo menstrual em algumas mulheres, funcionando como um estímulo físico para que a menstruação desça.
O ciclo menstrual é regulado por um delicado equilíbrio hormonal. Altos níveis de estresse, ansiedade ou esgotamento emocional podem alterar a produção desses hormônios, atrasando ou até interrompendo a menstruação por alguns ciclos. Técnicas de relaxamento, como meditação, yoga ou simples pausas no dia a dia, podem ajudar a restabelecer a regularidade.
Atletas e mulheres que praticam exercícios de alta intensidade, especialmente treinos de força ou resistência, podem apresentar amenorreia hipotalâmica (ausência de menstruação por desregulação hormonal). Isso acontece porque o corpo interpreta o gasto energético excessivo como um estado de alerta, suprimindo a ovulação e o ciclo menstrual.
Leia também: Menstruação durante a gravidez: é possível?
Assim como existem práticas populares para adiantar a menstruação, também circulam receitas caseiras que prometem diminuir ou até parar o sangramento por algumas horas ou dias. No entanto, é importante reforçar: a maioria dessas técnicas não tem comprovação científica robusta. Podem até trazer algum alívio momentâneo, mas não substituem a avaliação médica e, em alguns casos, podem gerar efeitos indesejados.
O frio ajuda a contrair os vasos sanguíneos, reduzindo temporariamente o fluxo menstrual. Aplicar uma bolsa de gelo sobre o abdômen por alguns minutos pode trazer alívio e reduzir a intensidade do sangramento, mas o efeito costuma ser passageiro.
Para aplicar o método basta colocar compressas de gelos na região do ventre de 15 em 15 minutos a cada 4 horas. Aos poucos, notará a quantidade de menstruação reduzindo.
Diluir vinagre de maçã em água e beber é uma prática muito citada no TikTok. Acredita-se que o vinagre possa reduzir o fluxo, mas não há estudos científicos que confirmem essa eficácia. Além disso, o consumo excessivo pode causar desconforto gástrico e desgaste do esmalte dentário.
Entre os métodos caseiros mais divulgados, está o consumo de gelatina diluída em água. A promessa é interromper a menstruação por algumas horas. Porém, não existe base científica que sustente esse efeito e muitos especialistas apontam essa dica como um mito bastante difundido. No entanto, se você quiser testar, mal não vai fazer!
O tomilho é uma erva medicinal usada tradicionalmente para cólicas e inflamações leves. Algumas pessoas acreditam que sua infusão pode ajudar a interromper o fluxo, mas faltam evidências clínicas para confirmar essa ação específica.
Outro método popular é consumir limão em grande quantidade, acreditando que a fruta teria propriedades para reduzir o sangramento. Na prática, não há comprovação científica desse efeito, e o excesso pode causar irritação estomacal e prejudicar o esmalte dos dentes.
Embora existam diversos métodos populares para tentar adiantar ou interromper a menstruação, apenas os tratamentos indicados por médicos oferecem segurança e eficácia comprovada. Na prática clínica, ginecologistas podem recomendar algumas alternativas hormonais ou medicamentosas que permitem manipular o ciclo menstrual sem comprometer a saúde da paciente.
A forma mais comum de manipular o ciclo é com o uso contínuo da pílula anticoncepcional combinada (estrogênio + progesterona). Ao emendar uma cartela na outra, é possível evitar o sangramento por semanas ou até meses, de acordo com a recomendação médica.
O DIU hormonal libera é outro método seguro por liberar pequenas doses de progesterona diretamente no útero. Com o uso contínuo, pode tornar o fluxo menstrual muito reduzido ou até suspender a menstruação em parte das mulheres. É uma solução prática, de longa duração (até 5 anos) e indicada por médicos em casos específicos.
Existem opções injetáveis (mensais ou trimestrais) e implantes subdérmicos que liberam hormônios gradualmente. Ambos podem levar à diminuição ou suspensão da menstruação ao longo do tempo.
Em alguns casos, o médico pode recomendar o uso de anti-inflamatórios não hormonais (como o ácido tranexâmico) para reduzir o fluxo menstrual intenso, principalmente em situações emergenciais ou quando a mulher apresenta anemia.
Seu ciclo menstrual é parte do funcionamento natural do corpo, mas entender como ele funciona é uma forma poderosa de cuidar da saúde. Embora existam métodos populares que prometam adiantar, interromper ou reduzir a menstruação, a maioria deles carece de comprovação científica sólida e pode trazer riscos se usada sem orientação.
A boa notícia é que a medicina moderna oferece alternativas seguras e eficazes para quem precisa manipular o ciclo por motivos de saúde, conforto ou planejamento pessoal. O mais importante é lembrar que cada organismo é único e o que funciona para uma mulher pode não ter o mesmo efeito em outra.
Por isso, se você deseja alterar o seu ciclo, o primeiro passo sempre deve ser conversar com o seu ginecologista. Ele poderá indicar a melhor estratégia de acordo com seu histórico clínico, estilo de vida e necessidades específicas.
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