Alimentos que parecem simples, mas entregam muito mais nutrientes do que imaginamos

Conheça 7 alimentos simples e cotidianos que surpreendem pela densidade nutricional e podem contribuir para uma saúde melhor.

Thyago Murad | 14 de Setembro de 2026 às 18:30

A batata doce está em cima dos alimentos considerados comuns, mas que são benéficos para a nutrição do corpo. - Reprodução / Freepik

Nem sempre um alimento nutricionalmente interessante é caro, exótico ou difícil de encontrar, viu? Na verdade, alguns dos itens mais comuns da alimentação cotidiana concentram uma quantidade surpreendente de vitaminas, minerais, proteínas, fibras e outros compostos importantes para o organismo.

É o caso do ovo, do feijão, da batata-doce, da aveia e da sardinha. Embora façam parte da rotina de muitas pessoas, eles podem passar despercebidos quando o assunto é valor nutricional.

Um estudo publicado no Public Health Nutrition avaliou a densidade nutricional e o preço de alimentos no Brasil. A análise considerou nutrientes como proteínas, fibras, vitaminas A, C e E, cálcio, ferro e potássio. Frutas, vegetais, feijões, castanhas, sementes, ovos e laticínios apareceram entre as opções com boa oferta de múltiplos nutrientes em relação ao custo.

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Isso ajuda a colocar em perspectiva a ideia de que comer bem necessariamente exige comprar produtos sofisticados. Muitas vezes, a resposta está em alimentos que já fazem parte da despensa.

7 alimentos simples que são mais nutritivos do que parecem

1. Batata-doce

A batata-doce costuma ser lembrada principalmente como fonte de carboidratos. Mas ela também chama atenção pela quantidade de vitamina A que pode fornecer.

De acordo com o Office of Dietary Supplements, do National Institutes of Health (NIH), uma batata-doce inteira assada com casca fornece cerca de 1.403 microgramas de equivalentes de atividade de retinol (RAE) de vitamina A, valor correspondente a 156% do valor diário usado na referência norte-americana.

Essa vitamina participa de funções importantes relacionadas à visão, ao sistema imunológico, à reprodução e ao crescimento e desenvolvimento. A batata-doce fornece vitamina A principalmente por meio de carotenoides, como o betacaroteno, que o organismo pode converter em vitamina A.

Ou seja, aquele acompanhamento simples do almoço pode oferecer muito mais do que energia.

2. Ovo

O ovo é outro alimento cotidiano que merece atenção quando o assunto é densidade nutricional. Ele aparece, inclusive, entre os grupos de alimentos que oferecem múltiplos nutrientes a um custo relativamente baixo na análise feita com alimentos disponíveis no Brasil.

Um exemplo é a vitamina B12. Segundo o NIH, um ovo grande cozido fornece cerca de 0,5 micrograma de vitamina B12, o equivalente a 19% do valor diário de referência utilizado pelo órgão. A vitamina B12 é encontrada naturalmente em alimentos de origem animal. Por isso, o ovo pode contribuir para a ingestão desse nutriente dentro de uma alimentação variada.

Ele também fornece vitamina A, embora em quantidade menor do que alimentos como a batata-doce. Um ovo grande cozido tem aproximadamente 75 microgramas de RAE de vitamina A. O resultado é um alimento pequeno, fácil de preparar e com uma composição nutricional mais interessante do que sua simplicidade sugere.

3. Feijão

Poucos alimentos são tão presentes na alimentação brasileira quanto o feijão. Ainda assim, ele pode ser subestimado justamente por fazer parte da rotina. Na análise sobre densidade nutricional e preço no Brasil, feijões, castanhas e sementes apareceram entre as fontes de múltiplos nutrientes com baixo custo.

O feijão também é uma fonte de minerais. Dados do NIH mostram, por exemplo, que meia xícara de feijão-preto cozido fornece cerca de 60 mg de magnésio, correspondendo a 14% do valor diário de referência. O feijão-vermelho enlatado também aparece na tabela do órgão como fonte do mineral.

E existe uma característica importante: diferentes tipos de feijão podem apresentar composições nutricionais diferentes. Por isso, não é necessário transformar uma única variedade em “a melhor”. Variar os alimentos continua sendo uma maneira prática de ampliar a oferta de nutrientes.

4. Espinafre

O espinafre pode parecer apenas mais uma folha para colocar no prato, mas sua composição ajuda a explicar por que os vegetais verde-escuros aparecem com frequência quando se fala em alimentação nutritiva.

O NIH lista o espinafre entre os alimentos que fornecem vitamina A. O órgão também mostra que meia xícara de espinafre congelado e cozido oferece cerca de 573 microgramas de RAE de vitamina A, correspondendo a 64% do valor diário de referência.

O mineral magnésio também está presente em quantidade relevante. Meia xícara de espinafre cozido fornece aproximadamente 78 mg de magnésio, ou 19% do valor diário de referência.

O potássio aparece na composição do alimento. Segundo o NIH, duas xícaras de espinafre cru fornecem cerca de 334 mg do mineral.

Assim, aquela porção de folhas que pode parecer coadjuvante na refeição reúne diferentes micronutrientes em um único alimento.

5. Aveia

A aveia costuma aparecer no café da manhã, em mingaus, vitaminas e receitas. Mas sua composição vai além de simplesmente oferecer fibras.

Uma revisão publicada no PubMed destaca a presença de beta-glucana, uma fibra solúvel considerada um dos principais componentes ativos da aveia. O cereal também contém compostos bioativos chamados avenantramidas.

Uma revisão mais recente, publicada em 2024, atualizou o conhecimento sobre essas avenantramidas e descreveu sua presença como característica da aveia. Outro estudo de revisão, também indexado no PubMed, descreve a aveia como fonte de proteínas, lipídios, minerais, beta-glucana e diferentes compostos bioativos.

Isso não significa que comer aveia isoladamente seja capaz de produzir efeitos específicos no organismo. A evidência científica sobre seus componentes é mais complexa. Ainda assim, a composição do cereal mostra por que ele pode ocupar um espaço interessante em uma alimentação variada.

6. Sardinha

A sardinha costuma receber menos atenção do que peixes mais associados à alimentação saudável. Mas os peixes pequenos podem ser fontes importantes de nutrientes.

Uma pesquisa publicada no Nature Food analisou dados de 2.348 espécies de peixes em 39 países de baixa e média renda. O estudo identificou pequenos peixes pelágicos, como sardinha, arenque e anchova, como as opções mais baratas entre os peixes nutritivos em 72% dos países analisados.

A sardinha também fornece proteínas e minerais. Um estudo que avaliou sardinhas enlatadas encontrou quantidades relevantes de diferentes minerais e vitaminas, embora os valores variassem de acordo com a região de origem e a preparação do alimento.

Por isso, ela é um exemplo interessante de alimento que pode parecer simples, mas reúne diferentes componentes nutricionais.

A escolha também mostra que uma alimentação variada não precisa depender exclusivamente de peixes considerados mais sofisticados. Existem alternativas menos glamorosas que também podem contribuir para a ingestão de nutrientes.

7. Amendoim

O amendoim pode aparecer no dia a dia como petisco, ingrediente de receitas ou pasta para acompanhar pães e frutas. Mas ele também é uma fonte relevante de minerais.

O magnésio é um exemplo. Segundo o NIH, um quarto de xícara de amendoim torrado em óleo fornece cerca de 63 mg de magnésio, equivalente a 15% do valor diário de referência. O alimento também aparece no estudo brasileiro sobre densidade nutricional e custo dentro do grupo de castanhas e sementes, que apresentou boa oferta de múltiplos nutrientes.

Isso ajuda a explicar por que alimentos desse grupo podem ter um papel interessante na alimentação. Ao mesmo tempo, o amendoim é relativamente denso em energia, então a quantidade consumida continua sendo relevante.

No fim, alguns dos alimentos mais interessantes podem estar justamente onde menos esperamos: na despensa, na feira e naquele prato que parece simples demais para chamar atenção.

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