Apesar de levarem a mesma erva na composição, bebidas tradicionais possuem preparo, temperatura e sabores completamente diferentes
Thyago Murad | 23 de Maio de 2026 às 15:00
Para muita gente, basta ouvir a palavra “mate” para pensar imediatamente em chimarrão. Mas quem conhece a cultura da erva-mate sabe que existem diferenças importantes entre as principais bebidas preparadas com ela. Chimarrão, tereré e chá-mate compartilham a mesma origem, mas possuem modos de preparo, temperaturas, tradições e sabores bastante distintos.
Enquanto o chimarrão é símbolo do Sul do Brasil e costuma ser consumido quente, o tereré ganhou força em regiões mais quentes graças ao preparo gelado. Já o chá-mate aparece como uma opção mais versátil, popular tanto quente quanto fria.
Além da diferença no sabor, cada bebida também carrega tradições culturais próprias e maneiras específicas de preparo.
Antes de entender as diferenças entre as bebidas, vale conhecer a base de todas elas. A erva-mate vem da planta Ilex paraguariensis, muito cultivada no Sul do Brasil, Paraguai e Argentina. Rica em cafeína, antioxidantes e compostos estimulantes, ela se tornou parte importante da cultura de diversos países da América do Sul.
Dependendo da forma de secagem, moagem e preparo, a erva ganha características diferentes. As bebidas derivadas da erva-mate fazem parte da identidade cultural de milhões de brasileiros, especialmente na região Sul.
O preparo é simples:
O sabor costuma ser mais suave e menos amargo do que o chimarrão.
O chimarrão, por sua vez, talvez seja a bebida mais tradicional quando se fala em erva-mate. Muito popular no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, ele é preparado com água quente e servido em uma cuia com bomba metálica.
O sabor costuma ser mais intenso, amargo e encorpado. A erva utilizada no chimarrão normalmente possui moagem fina e coloração verde vibrante, característica que ajuda a manter o sabor fresco da bebida.
Além do consumo individual, o chimarrão também possui forte aspecto social e compartilhar a cuia faz parte da tradição gaúcha há gerações.
Embora pareça simples, o preparo correto influencia bastante no sabor.
A temperatura ideal costuma ficar entre 70 °C e 80 °C. Água fervendo pode “queimar” a erva e deixar o sabor excessivamente amargo.
Se o chimarrão combina com frio, o tereré se tornou símbolo das temperaturas altas. Muito popular no Mato Grosso do Sul e em países como Paraguai, a bebida utiliza erva-mate semelhante, mas preparada com água extremamente gelada.
Em muitos casos, o preparo ainda leva gelo, limão, hortelã ou outras ervas aromáticas. O resultado é uma bebida mais refrescante e leve.
O preparo lembra bastante o chimarrão, mas com diferenças importantes.
Muitas pessoas também utilizam sucos naturais no preparo. O sabor tende a ficar mais suave e refrescante do que o chimarrão tradicional.
Embora todas utilizem erva-mate, alguns fatores mudam completamente a experiência.
As três bebidas possuem cafeína naturalmente presente na erva-mate. No entanto, a concentração pode variar dependendo do preparo, temperatura da água e quantidade de erva utilizada. Em geral, chimarrão e tereré costumam ter efeito estimulante mais perceptível devido ao contato contínuo da água com a erva durante o consumo.
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