Fumo passivo em pets pode afetar cães e gatos e aumentar riscos à saúde. Entenda os efeitos da fumaça e da chamada terceira mão do fumo.
Seu pet não precisa fumar para ser exposto às substâncias tóxicas do cigarro, viu? A realidade é que o fumo passivo em pets também pode acontecer quando cães e gatos dividem ambientes com pessoas que fumam. A fumaça contém milhares de substâncias químicas e pode afetar a saúde dos animais de diferentes maneiras.
Segundo a VCA Animal Hospitals, instituição internacional, a fumaça do tabaco contém mais de 7 mil substâncias químicas, sendo que cerca de 80 são conhecidas por causar câncer. A exposição ao ar contaminado pode afetar cães, gatos e também aves.
No Brasil, a publicação Cães e Gatos também chama atenção para os efeitos da exposição contínua. Segundo a médica-veterinária Larissa Pereira Alves dos Santos, cães e gatos compartilham o mesmo ambiente e respiram os mesmos poluentes que os fumantes.
E o problema não termina quando a fumaça desaparece. Resíduos do cigarro podem permanecer em móveis, tecidos, roupas, paredes e até na pele, criando outra forma de exposição conhecida como fumaça de terceira mão.
O que é fumo passivo em pets?
O fumo passivo em pets acontece quando o animal respira a fumaça produzida pelo cigarro, charuto ou cachimbo. Ela pode vir tanto da fumaça expelida por quem fuma quanto da que sai da ponta acesa do produto.
Na prática, isso significa que o animal não precisa estar perto do cigarro para ser considerado exposto a um ambiente contaminado. Cães e gatos que vivem em locais onde há fumaça de tabaco podem respirar os mesmos poluentes presentes naquele espaço.
A exposição contínua pode atingir diferentes sistemas do organismo.
De acordo com a publicação Cães e Gatos, a fumaça pode estar relacionada a problemas respiratórios, oftálmicos e sistêmicos nos pets. Entre os problemas citados estão bronquite, asma, traqueíte, inflamação ocular, irritação nasal, dermatites alérgicas, redução da imunidade e aumento do risco de neoplasias, especialmente no sistema respiratório.
Como o fumo passivo afeta os cães?
Os efeitos do fumo passivo em cães podem aparecer de diferentes formas. A VCA Animal Hospitals relata maior ocorrência de infecções oculares, alergias e problemas respiratórios em cães expostos à fumaça. A fonte também aponta estudos que encontraram possíveis relações entre a exposição ao fumo passivo e o desenvolvimento de câncer nasal e pulmonar nesses animais.
Cães que vivem em ambientes com fumaça também apresentam mais tosse. A publicação do portal Cães e Gatos cita ainda doenças respiratórias crônicas, como bronquite, asma e traqueíte, além de irritação ocular e nasal.
Outro ponto de atenção é que a sensibilidade pode variar entre os cães. Segundo Larissa, o porte e o formato do focinho podem influenciar essa sensibilidade. As raças braquicefálicas, como Pug e Bulldog, são citadas como mais suscetíveis a complicações respiratórias.
O risco também merece atenção em animais que já possuem problemas respiratórios.
A veterinária explica: “Em pets com asma, colapso traqueal, bronquite crônica ou outras condições respiratórias, a presença de fumaça no ambiente pode desencadear crises, dificultar a recuperação e até causar quadros de emergência. O agravamento dessas doenças é frequentemente observado em lares com fumantes”.
Efeitos do fumo passivo em gatos podem ser ainda mais preocupantes
Os gatos também sofrem com o fumo passivo em pets, mas existem características próprias que tornam a exposição especialmente importante nessa espécie.
Segundo a VCA, gatos que vivem em ambientes com fumaça têm maior risco de desenvolver asma e câncer de pulmão. A fonte também aponta uma maior ocorrência de linfoma entre gatos expostos ao fumo.
A VCA informa que gatos expostos à fumaça têm cerca de duas vezes mais probabilidade de desenvolver linfoma. Segundo a fonte, esse risco aumenta conforme aumenta o tempo que o animal permanece em uma casa com fumaça.
Mas existe ainda outro caminho de exposição. Os gatos passam bastante tempo se lambendo. Com isso, podem ingerir partículas tóxicas que ficam acumuladas nos pelos.
A chamada fumaça de terceira mão é justamente parte desse problema. Resíduos deixados pela fumaça podem permanecer em superfícies e também no pelo do animal. Ao se lamber, o gato pode entrar em contato com essas partículas e levá-las à boca. A VCA relaciona esse processo ao desenvolvimento de tumores orais.
O que é fumaça de terceira mão?
Quando se fala em fumo passivo em pets, é comum pensar apenas na fumaça que o animal respira. Mas existe uma segunda preocupação: os resíduos que permanecem no ambiente.
A chamada fumaça de terceira mão corresponde aos resíduos deixados pelo cigarro depois que a fumaça já se dissipou.
Eles podem ficar em móveis, tapetes, tecidos, paredes, roupas e pelos. A VCA explica que gatos podem entrar em contato com essas partículas ao se lamberem depois que os resíduos se acumulam na pelagem.
A publicação Cães e Gatos também chama atenção para essa forma de exposição. Segundo a veterinária, os resíduos de nicotina e outras toxinas podem permanecer em móveis, tecidos, paredes, roupas e na pele dos tutores.
A veterinária explica: “Os pets entram em contato com esses resíduos ao deitar no sofá, se esfregar nas roupas ou ao serem acariciados, podendo absorver substâncias pela pele ou pela ingestão ao se lamberem”.
Por isso, simplesmente esperar a fumaça desaparecer não elimina toda a exposição.
Quais são os sinais de fumo passivo em pets?
Alguns sinais podem indicar que o animal está sendo afetado por um ambiente com fumaça.
Segundo a publicação Cães e Gatos, entre eles estão:
- Tosse persistente.
- Espirros frequentes.
- Secreção nasal ou ocular.
- Dificuldade para respirar.
- Fadiga excessiva.
- Redução do apetite.
- Vômitos em casos de ingestão de resíduos tóxicos.
- Queda de pelos.
- Dermatites de contato.
A presença desses sinais não deve ser ignorada. A própria fonte orienta atenção aos sintomas associados à exposição.
O fumo passivo pode aumentar o risco de câncer em cães e gatos?
Sim. As fontes citadas relacionam a exposição contínua à fumaça do cigarro ao aumento do risco de determinados tipos de câncer em cães e gatos. Nos cães, a VCA aponta estudos que encontraram possíveis relações entre o fumo passivo e câncer nasal e pulmonar.
Já em gatos, a fonte cita maior risco de câncer de pulmão e linfoma. A exposição aos resíduos acumulados no pelo também está relacionada a tumores na boca.
A publicação Cães e Gatos reforça essa relação e afirma que, nos gatos, a exposição contínua está particularmente associada ao linfoma e ao carcinoma oral. Nos cães, carcinoma nasal e câncer pulmonar estão entre os mais relatados pela veterinária entrevistada.
Como proteger o pet do fumo passivo?
A maneira mais direta de reduzir o fumo passivo em pets é evitar que o animal tenha contato com ambientes onde exista fumaça.
A VCA informa que alguns tutores optam por fumar do lado de fora de casa. Abrir janelas e utilizar filtros de ar também são medidas adotadas para reduzir a exposição. Porém, a fonte ressalta que não existe um nível de exposição ao fumo passivo considerado livre de risco.
Por isso, manter cães e gatos afastados de áreas onde há fumaça é uma medida importante.
A recomendação mais direta é evitar fumar dentro de casa, no carro ou próximo aos animais. Essa orientação é especialmente relevante porque o problema não está apenas no momento em que o cigarro está aceso. Os resíduos também podem permanecer no ambiente.
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