A atual campeã do Carnaval carioca homenageia Malunguinho, figura histórica que simboliza a luta pela liberdade e resistência cultural
A atual campeã do Carnaval carioca vai chegar no carnaval de 2025 com um enredo sobre Malunguinho: O Mensageiro de Três Mundos que explora a batalha pela liberdade e resistência, estabelecendo uma profunda conexão entre as culturas afro e indígena.
De acordo com o carnavalesco Tarcísio Zanon, Malunguinho é uma figura histórica preservada na tradição da Jurema Sagrada, reconhecida como uma das primeiras cosmologias do Brasil. "É um enredo afro-indígena, um enredo negríndio. Misturamos essas duas culturas dentro de um personagem, não existe nada mais brasileiro.”
“É um tema muito importante, porque a gente está falando de reparação cultural, de um personagem pouquíssimo conhecido do grande público. Até mesmo em Pernambuco, os pernambucanos não conhecem a força desse homem, um dos maiores líderes quilombolas do Brasil”, disse o carnavalesco ao site Agência Brasil.
Pontuação máxima no Carnaval de 2024
No carnaval de 2024, a escola de Niterói foi a grande campeã com o enredo "Arroboboi, Dangbé", a Viradouro destacou o culto ao vudum serpente como seu grande diferencial. O desfile, sob a assinatura do carnavalesco Tarcísio Zanon, retratou a trajetória das sacerdotisas voduns, mulheres escolhidas e iniciadas em rituais de devoção à serpente sagrada.
Com desempenho impecável, a escola alcançou a pontuação máxima de 270 pontos na apuração. Apenas três notas 9,9 foram registradas nos quesitos Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Enredo e Alegorias e Adereços. No entanto, essas notas foram descartadas conforme as regras da Liesa, assegurando a vitória com pontuação perfeita.
Samba da Viradouro para o Carnaval 2025
Já na primeira estrofe, a entidade é invocada por meio da saudação: “Sobô Nirê Mafá”, sendo chamada para abençoar esse canto de exaltação e resistência dos grupos mais marginalizados da sociedade.
Ao longo da música, diversas expressões e palavras fazem referência a Malunguinho. Um exemplo é a Mata do Catucá, localizada em Pernambuco, próxima a Recife, onde no século XIX existiu um quilombo sob sua liderança. Outro elemento presente é a Juremá, uma planta sagrada nativa do Nordeste brasileiro. Sua raiz é utilizada na preparação de banhos e rituais com propriedades curativas.
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