Com um elenco de peso, o filme 'O Público' traz à tona a invisibilidade social e o papel das bibliotecas como espaços de acolhimento e inclusão.
A Sessão da Tarde desta segunda-feira (17) exibiu o filme "O Público", um filme de 2018 que vai além do drama tradicional ao abordar questões sociais. Dirigido e estrelado por Emilio Estevez, com um elenco que inclui Alec Baldwin, Taylor Schilling e Jena Malone.
Ambientado em Cincinnati, nos Estados Unidos, "O Público" acompanha Stuart Goodson (interpretado por Emilio Estevez), um bibliotecário que se vê no centro de uma crise quando a biblioteca na qual ele trabalha decide abrigar moradores de rua durante uma onda de frio intenso. A decisão, inicialmente um ato de solidariedade, gera um impasse com a polícia e a mídia, transformando a biblioteca em um campo de batalha entre direitos humanos, segurança pública e opinião popular.
O filme aborda questões muito importantes como a invisibilidade social de moradores de rua, desigualdade e o papel das bibliotecas como espaços de inclusão e acolhimento. Com diálogos afiados e performances emocionantes, o filme equilibra crítica social e emoção, conquistando o público e a crítica.
Mas, o que pouca gente sabe é que a história que arrecadou mais de 1,5 milhão de dólares, é inspirada em casos reais. A inspiração de Emilio Estevez para o filme veio após ele ler reportagens do Los Angeles Times, que destacavam como bibliotecas nos Estados Unidos estavam se tornado pontos de acolhimento para essa população vulnerável.
Uma história que reflete a realidade
Apesar de ser uma obra de ficção, "O Público" retrata uma situação real e recorrente em diversas cidades ao redor do mundo. Bibliotecas públicas têm se tornado, cada vez mais, um dos poucos espaços seguros e acessíveis para pessoas em situação de rua, oferecendo não apenas livros, mas também acesso à internet, banheiros e, em alguns casos, programas de assistência social.
Nos últimos anos, bibliotecas públicas em diversas partes do mundo têm assumido um papel ativo no apoio a pessoas em situação de rua. A Biblioteca Pública de São Francisco, nos Estados Unidos, é um dos exemplos mais conhecidos de inclusão social. Desde 2009, a instituição conta com um programa que oferece acesso a assistentes sociais dentro da biblioteca, programas de capacitação profissional, aulas de alfabetização e distribuição de kits de higiene pessoal.
No Canadá, a Biblioteca Pública de Calgary implementou o programa "Safe Harbour", que treina funcionários para lidar com as necessidades específicas de pessoas em situação de rua.
No Rio de Janeiro, a Biblioteca Parque, localizada no Centro, além de promover rodas de leitura, disponibiliza diariamente "sessões de cinema" para pessoas em situação de rua.
“É uma distração gratuita para a gente e, ao mesmo tempo, também é assim como que tira um pouco a nossa cabeça de quem está em situação de rua, os problemas e tal. A biblioteca, além de ser uma distração, eu diria que é uma fonte de conhecimento”, disse Keneth Savedra em entrevista ao G1.
Já a Biblioteca Pública de São Paulo se destaca por suas ações de inclusão ao oferecer programas culturais e educativos voltados para a diversidade, por realizar parcerias com ONGs para oferecer orientação sobre direitos sociais e serviços públicos.