A Amazon lançou os novos Kindle Scribe e Scribe Colorsoft no Brasil. Veja as diferenças, os preços e qual modelo vale mais para o seu perfil.
Douglas Ferreira | 12 de Maio de 2026 às 16:22
Quem já tem um Kindle sabe como é difícil voltar a ler em qualquer outro dispositivo. Mas durante anos, uma parte dos leitores preferia abrir mão dessa experiência e usar um tablet justamente pela possibilidade de fazer anotações com uma caneta. Contudo, a Amazon parece ter entendido esse dilema e decidiu resolvê-lo de vez ao lançar oficialmente no Brasil, nesta terça-feira (12), a linha Kindle Scribe, seu primeiro e-reader com suporte a caneta.
Os modelos, que estão em pré-venda na Amazon, chegam em três versões, o Kindle Scribe com e sem luz frontal e uma opção com tela colorida, o Kindle Scribe Colorsoft. Com preços que vão de R$ 2.499 a R$ 3.899, a pergunta que a maioria das pessoas deve se fazer é: vale a pena comprar o Kindle Scribe? E qual dos dois faz mais sentido?
Nós vamos ajudar você a tirar essa dúvida, mas antes disso é importante que você entenda o que cada um oferece.
Os Kindles tradicionais foram criados pensando exclusivamente na experiência de leitura. E eles são excelentes nisso: tela que não reflete luz, bateria que dura semanas, acervo de milhões de títulos. O Scribe, por outro lado, mantém tudo isso e ainda transforma o seu e-reader em um "caderno digital" ao trazer a possibilidade de fazer anotações com uma caneta em uma tela de 11 polegadas que traz uma sensação de escrita semelhante ao papel.
Pesando apenas 400 gramas e com 5,4 mm de espessura o Scribe se destaca por ser mais leve do que a maioria dos tablets e mais fino do que a maioria dos cadernos, se tornando uma boa opção para quem busca um aparelho digital apenas para ler e fazer anotações fora de casa ou para quem precisa revisar contratos, artigos, apresentações ou qualquer PDF de trabalho.
Os três modelos chegam com um conjunto de ferramentas de inteligência artificial que vão além de gimmicks. O recurso de busca inteligente, por exemplo, permite encontrar uma anotação mesmo sem lembrar exatamente o que você escreveu. Basta descrever a ideia de forma aproximada e o sistema encontra.
A IA também consegue resumir cadernos inteiros, refinar anotações manuscritas e converter o que você escreveu à mão em texto digitado, que pode ser compartilhado por e-mail ou exportado para o Microsoft OneNote.
Há um recurso chamado Story So Far que permite retomar um livro depois de dias sem ler sem ter que folhear para trás tentando se lembrar onde a história estava. O dispositivo resume o que aconteceu até a última página lida, sem spoilers do que vem a seguir.
Uma das adições mais práticas é a possibilidade de importar documentos diretamente do Google Drive e do OneDrive para o Scribe. Isso resolve um ponto de atrito que existia nos modelos anteriores, em que era necessário enviar o arquivo por e-mail ou usar o sistema Send to Kindle. Agora, qualquer PDF ou documento de texto que estiver na nuvem pode ser aberto, anotado e exportado de volta, com as marcações incluídas.
Todos os modelos da linha vem com um cabo de carregamento USB-C e uma caneta que se conecta magneticamente à lateral do dispositivo. Ela não precisa de pilha nem de recarga, o que resolve um dos maiores incômodos das canetas digitais em geral. A ponta tem textura que cria um leve atrito com o vidro do Scribe, dando a sensação de caneta no papel e não de dedo em vidro escorregadio como acontece num tablet comum. Dentro da caixa a Amazon disponibiliza também ponteiras de reposição.
Ambos os modelos compartilham o mesmo sistema operacional Kindle, têm acesso à mesma loja com milhões de títulos, ao Kindle Unlimited e à integração com Audible, permitindo que você escute audiolivros via bluetooth. Ambos têm luz frontal, caneta incluída e a mesma tela de 11 polegadas. A única diferença que faz com que o preço do Colorsoft seja R$ 900 mais caro é a tela colorida.
O Kindle Scribe padrão usa um painel de tinta eletrônica em preto e branco, com 300 pontos por polegada. É uma tela nítida, com contraste excelente para texto. O Kindle Scribe Colorsoft usa um painel colorido desenvolvido pela própria Amazon, chamado Colorsoft, com tecnologia baseada em óxido. A resolução em cores é de 150 pontos por polegada, uma resolução menor do que quando usada como preto e branco que aí sim também mantém os 300 ppi.
As versões vendidas pela Amazon no Brasil são as da 3ª geração, que resolveram alguns problemas dos modelos anteriores. Para a versão Colorsoft, por exemplo, a empresa desenvolveu um novo motor de renderização para garantir que a escrita colorida seja mais fluida que o modelo anterior e sem atraso visível, trazendo uma experiência bem semelhante à do Kindle Scribe.
Uma coisa que vale esclarecer para quem está acostumado com tablets é que a tela colorida do Scribe não é como a do iPad ou tablets da Samsung. Ela utiliza uma tecnologia e-ink o que significa que não emite luz diretamente nos seus olhos. Sendo assim, as cores são suaves, com um aspecto que lembra impressão em papel fosco. Isso é proposital e é uma das vantagens para leitura prolongada.
A tela colorida do Colorsoft importa para quem lê ou trabalha com:
O Colorsoft permite escrever e sublinhar em 10 cores de caneta e 5 cores de marca-texto. Para quem tem um método de anotação que depende de cores, por exemplo usar amarelo para conceitos e rosa para dúvidas, isso passa a funcionar como esperado, sem precisar imaginar que aquela linha cinza é, na verdade, azul.
Para leitura de romances, contos, não-ficção narrativa, autoajuda, biografia ou qualquer livro que seja, basicamente, texto, a diferença entre as duas telas é mínima no dia a dia. Apesar de a Amazon apontar que o Scribe padrão e o Colorsoft têm a mesma resolução em preto e branco, de acordo com avaliações comparativas, o texto aparece ligeiramente mais nítido na versão mais simples do que na colorida.
A autonomia de bateria também favorece o modelo monocromático. O Kindle Scribe padrão conta com até 16 semanas de leitura e 3 semanas de escrita, já a versão com luz frontal até 12 semanas de leitura e 3 semanas de escrita, contra 8 semanas de leitura e 2 semanas de escrita no Colorsoft.
Apesar de não fazer muita diferença para a maioria das pessoas, o tempo de duração da bateria pode ser relevante para quem viaja muito.
Os três modelos estão em pré-venda a partir de hoje, 12 de maio de 2026, e têm previsão de entrega a partir de junho. Para o mercado brasileiro a Amazon oferece também capas premium nas cores Grafite, Matcha e Figo, em couro ou acabamento acetinado, com fechamento magnético e compartimento para a caneta, a partir de R$ 489.
| Modelo | Armazenamento | Preço |
|---|---|---|
| Kindle Scribe sem luz frontal | 16 GB | R$ 2.499 |
| Kindle Scribe com luz frontal | 32 GB | R$ 2.999 |
| Kindle Scribe Colorsoft | 64 GB | R$ 3.899 |
Na compra de qualquer modelo, a Amazon inclui 3 meses gratuitos de Kindle Unlimited.
Depende do que você vai fazer com o dispositivo. Se você lê muita coisa com cor ou precisa anotar em cores, o Colorsoft se paga ao longo do tempo. Mas se você lê principalmente textos em preto e branco e não liga para anotações coloridas, o Kindle Scribe padrão entrega 90% da experiência por um preço significativamente menor. Já a versão do Kindle Scribe com luz frontal só é indicado caso você pretenda ler e escrever em locais escuros ou com pouca iluminação.
Resumindo, o Colorsoft é, hoje, o melhor e-reader com caneta que existe para quem precisa de cor. O Scribe padrão é o melhor e-reader com caneta para quem não precisa de cor e faz uso apenas de dia ou ugares iluminados e o Scribe com luz frontal é a melhor opção para quem costuma ler e fazer anotações em lugares com pouca luz.
Para o leitor que consome principalmente texto, o Kindle Scribe padrão é a escolha mais inteligente. A tela monocromática tem contraste excelente, a bateria dura mais e o preço é bem menor do que o Colorsoft. A tela grande de 11 polegadas já representa um salto enorme em relação a qualquer Kindle convencional, e a caneta adiciona a possibilidade de fazer anotações e marcações que antes não eram possíveis.
Esse é o perfil para quem o Colorsoft foi claramente projetado. Quadrinhos e mangás coloridos passam a funcionar como deveriam. Livros técnicos com tabelas, mapas e diagramas ganham legibilidade real. As capas dos livros na biblioteca aparecem em cores, o que parece detalhe mas muda bastante a experiência de navegar pelo acervo.
Os dois modelos têm os recursos de inteligência artificial que a Amazon integrou à linha: busca inteligente nas anotações (sem precisar lembrar a palavra exata), geração de resumos, conversão de texto manuscrito em digitado e integração com Google Drive e Microsoft OneDrive para importar e exportar documentos.
Para estudantes que trabalham com muitos artigos acadêmicos, o Scribe funciona como um investimento em produtividade: a possibilidade de marcar PDFs em tamanho real e organizar anotações no próprio dispositivo, sem notificações ou distrações de outros aplicativos, muda a qualidade do estudo. Para esse perfil, o modelo com luz frontal é indispensável.
Se você já usa um Kindle convencional e sempre quis poder escrever nele de verdade, qualquer um dos modelos desta linha vai mudar sua relação com o dispositivo.
A pergunta que você deve se fazer antes de comprar é se você realmente usa anotações no dia a dia, seja para estudar, trabalhar ou organizar ideias. Se a resposta for sim, o Kindle Scribe faz muito sentido, especialmente para quem já é leitor de Kindle e sente falta de uma caneta. Agora se você praticamente não anota nada, um Kindle Paperwhite entrega praticamente a mesma experiência de leitura por um preço bem menor.