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Michelangelo e da Vinci: a grande colaboração artística que acabou mal

Entenda por que a grande colaboração artística de da Vinci e Michelangelo que deveria estar no Palazzo Vecchio nunca saiu do papel.

Douglas Neves | 12 de Julho de 2019 às 17:00

Givaga/iStock -

Em 1503, dois dos maiores artistas que o mundo conheceu, Leonardo da Vinci e Michelangelo Buonarroti, foram convidados para pintar cenas de guerra que deveriam decorar o Palazzo Vecchio, em Florença. Podia ter sido uma ótima oportunidade de colaboração artística, mas não foi – Leonardo e Michelangelo odiavam-se.

Embate de titãs

Na ocasião, Leonardo tinha mais de 50 anos e já era rico e famoso. Acostumado à companhia de príncipes, tinha criados, belos trajes e encanto pessoal. Michelangelo, com apenas 29 anos, era muito diferente – grosseiro, agressivo e solitário. De nariz quebrado e corpo musculoso, parecia mais um lutador do que um artista.

Foi impossível para os dois homens trabalhar em harmonia. Leonardo era lento, metódico, e comportava-se sempre com elegância. Michelangelo, por sua vez, pintava e criava tumultos com a mesma intensidade. O ar altivo de Leonardo o enfurecia, e as ruas de Florença assistiram várias vezes à troca de insultos entre esses dois gênios.

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Certa vez, Michelangelo zombou de Leonardo por este não ter acabado o mais famoso projeto que empreendera – a estátua equestre do duque de Milão. É verdade que Leonardo tinha tendência a deixar obras por terminar. Seu espírito imensamente fértil, sempre explorando novos caminhos, saltava de um projeto a outro – da escultura para a arquitetura ou para as novas invenções –, sem se dar ao trabalho de concluir o que tinha nas mãos. Mas seus trabalhos terminados, como, por exemplo, a Mona Lisa, encontram-se entre as melhores obras da história da arte.

Homens do Renascimento

Assim como Leonardo, Michelangelo era um autêntico “homem do Renascimento”, brilhante em numerosos campos, como a arquitetura, poesia, pintura e escultura. Ao contrário de Leonardo, deixou-nos numerosas obras-primas, da enorme estátua de Davi, em Florença, ao magnífico teto da Capela Sistina, no Vaticano.

E o que aconteceu com as pinturas do Palazzo Vecchio? Michelangelo só fez o esboço inicial; Leonardo completou sua parte, mas a técnica que empregou veio a revelar-se desastrosa – as cores começaram a desbotar logo que a pintura ficou pronta e há muito desapareceram.

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