Pesquisa faz uso de inteligência artificial e métodos não convencionais e descobre que os manuscritos bíblicos são ainda mais antigos do que se pensava
Pesquisas recentes indicam que diversos fragmentos dos famosos 'Manuscritos do Mar Morto', os manuscritos da bíblia, podem ter origem ainda mais remota do que se imaginava. Uma investigação inovadora, que utilizou um conjunto de métodos surpreendentes, conseguiu descobrir que os textos podem ser ainda mais antigos do que se pensava.
Entenda o estudo
Para determinar o ano de origem dos textos bíblicos, os pesquisadores por trás deste estudo se valeram da junção da tecnologia de inteligência artificial em conjunto com métodos de datação por carbono-14, o que permitiu que eles chegassem à conclusão de que que certos trechos de textos sagrados remontam a aproximadamente 2.300 anos.
De acordo com Mladen Popović, principal responsável pelo estudo publicado na revista científica PLOS One e diretor da Faculdade de Religião, Cultura e Sociedade da Universidade de Groningen, na Holanda, esse período coincide com a possível época de vida dos autores dos escritos.
“Os Manuscritos do Mar Morto foram extremamente importantes quando foram descobertos, porque mudaram completamente a forma como entendemos o judaísmo antigo e o cristianismo primitivo”, afirmou Popović. “Dos cerca de 1.000 manuscritos, pouco mais de 200 são o que chamamos de Antigo Testamento bíblico, e eles são as cópias mais antigas que temos da Bíblia Hebraica. Eles nos deram muita informação sobre como era o texto naquela época.”, complementou.
Segundo o pesquisador, os Manuscritos do Mar Morto funcionam como uma janela para o passado, permitindo que especialistas compreendam o que era lido, escrito e pensado na antiguidade. A maioria desses documentos, produzidos principalmente em hebraico, usando materiais como papiro e pergaminho, não contém indicações de data. Até recentemente, estudiosos usavam a paleografia, ciência que analisa antigas formas de escrita, para estimar que os textos foram criados entre o século III antes de Cristo e o século II depois de Cristo.
Segundo o estudioso, com a ajuda da sua pesquisa foi possível determinar que os documentos podem ser cerca de 100 anos mais velhos do que se imaginava e a descoberta é empolgante, visto que pode influenciar outros pesquisadores a revisitar outros achados históricos para estudá-los novamente em busca de uma maior compreensão.