Entenda detalhes acerca das doenças modernas que cientistas descobriram que, na realidade, assolam a humanidade há milhares de anos.
Um grupo de pesquisadores da Universidade Semmelweis conduziu um estudo inovador ao aplicar tomografia computadorizada em restos de múmias egípcias com mais de 2.300 anos. A análise, feita com tecnologia médica de ponta, permitiu identificar sinais claros de doenças que ainda hoje fazem parte da rotina de diagnósticos, como a osteoporose.
Pesquisa descobre que a osteoporose já afetava populações antigas
Reprodução / Universidade Semmelweis
O trabalho utilizou exames não invasivos para investigar as estruturas internas preservadas ao longo dos séculos das múmias. Com isso, os cientistas conseguiram acessar detalhes do estado de saúde desses indivíduos sem comprometer a integridade dos corpos mumificados.
Um dos principais achados do estudo foi a identificação de alterações ósseas compatíveis com osteoporose. A condição, marcada pela diminuição da densidade dos ossos, costuma ser associada ao envelhecimento e ao estilo de vida contemporâneo.
No entanto, as evidências encontradas nas múmias indicam que o problema já estava presente em populações muito anteriores à era moderna.
As imagens obtidas por tomografia revelaram fragilidade estrutural nos ossos, padrão típico da doença. Esse tipo de diagnóstico só foi possível graças à precisão das reconstruções tridimensionais, que permitem observar microdetalhes invisíveis em análises externas.
O uso da tomografia computadorizada representa um avanço significativo na arqueologia médica. Diferentemente de métodos antigos, que muitas vezes exigiam a abertura das múmias, a técnica atual preserva totalmente os vestígios históricos enquanto amplia a capacidade de investigação.
“As descobertas já haviam sido examinadas anteriormente por uma equipe de pesquisa, mas os registros atuais oferecem um retrato mais detalhado do que nunca e devem abrir caminho para que novos resultados cientificamente avaliáveis surjam a partir dos restos que têm sido mantidos em coleções por décadas”, detalhou a curadora da exposição e Museologista chefe, Krisztina Scheffer.
Além da osteoporose, os exames permitiram observar outras alterações anatômicas, contribuindo para um retrato mais fiel das condições de vida dessas populações. Fatores como alimentação, envelhecimento e até possíveis doenças crônicas podem ser inferidos a partir dessas análises.
Os resultados reforçam uma ideia cada vez mais presente na ciência: muitas doenças consideradas modernas têm origens antigas. Ao identificar essas condições em indivíduos que viveram há mais de dois milênios, os pesquisadores ampliam a compreensão sobre a evolução das enfermidades ao longo do tempo.
Reprodução / Universidade Semmelweis
Reprodução / Universidade Semmelweis
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