O Mirandês é a segunda língua com reconhecimento oficial de Portugal desde 1999. Conheça a história, a origem e onde o idioma é falado.
Se você pensa que o português é o único idioma oficial de Portugal, saiba que está equivocado. Há um segundo idioma que faz essa crença cair por terra: o mirandês. A língua recebeu reconhecimento oficial no país em 1999 e é considerada a segunda língua com reconhecimento oficial em território português.
Pouco conhecido no Brasil, o idioma voltou a ganhar destaque nesta quinta-feira, 17 de setembro de 2026. A data marca o Dia da Língua Mirandesa e, para celebrá-la, o atual Presidente da República de Portugal, António José Seguro, publicou uma mensagem escrita em mirandês.
A mensagem foi divulgada no site oficial da Presidência da República e nas redes sociais. O texto também convidava o público para a Festa do Livro em Belém, evento realizado no Palácio de Belém.
O que é o mirandês?
O mirandês é uma língua associada à região de Miranda do Douro, em Portugal. Seu reconhecimento oficial aconteceu por meio da Lei n.º 7/99, publicada em 29 de janeiro de 1999.
A legislação portuguesa reconheceu oficialmente os direitos linguísticos da comunidade mirandesa. Entre eles está o direito de cultivar e promover a língua mirandesa como patrimônio cultural, instrumento de comunicação e elemento de reforço da identidade da Terra de Miranda.
A lei também reconheceu o direito das crianças à aprendizagem do mirandês. Além disso, estabeleceu que instituições públicas localizadas ou sediadas no concelho de Miranda do Douro poderiam emitir documentos acompanhados de uma versão em língua mirandesa.
É esse reconhecimento legal que está por trás da definição do mirandês como a segunda língua oficial de Portugal.
Quando o mirandês virou a segunda língua oficial de Portugal?
A mudança aconteceu no fim dos anos 1990. A Assembleia da República portuguesa aprovou a proposta relacionada ao reconhecimento do mirandês em 17 de setembro de 1998. A Lei n.º 7/99 foi posteriormente publicada no Diário da República em 29 de janeiro de 1999.
A legislação tem como objetivo reconhecer e promover a língua mirandesa. O texto também estabelece direitos relacionados à preservação, ao ensino e ao uso do idioma.
Em outras palavras, o mirandês deixou de ser apenas uma língua associada à comunidade local e passou a contar com reconhecimento oficial do Estado português.
Onde o mirandês é falado?
O mirandês está ligado principalmente ao Nordeste de Portugal, especialmente à região de Miranda do Douro. O idioma também aparece associado a localidades do concelho de Vimioso. A área faz parte da chamada Terra de Miranda.
O Centro Nacional de Cultura descreve a língua mirandesa como o nome oficial do asturo-leonês que permanece em território português. O mesmo material registra três subdialetos: o central ou normal, o setentrional ou raiano e o meridional ou sendinês.
O mirandês também possui dicionário, gramática e ortografia próprios. Seus falantes são, em grande parte, bilíngues ou multilíngues.
O mirandês é parecido com o português?
Não exatamente. Na verdade, o mirandês tem características próprias e apresenta relação com o grupo asturo-leonês. O idioma possui semelhanças com línguas da região, mas conta com características que permitem reconhecê-lo como uma língua própria.
A Infopédia define o mirandês como um idioma que apresenta traços em comum com o asture-leonês e possui estatuto legal reconhecido em Portugal desde 1999.
Por isso, apesar de existir dentro de um país onde o português é a língua predominante, o mirandês não deve ser tratado simplesmente como uma variação regional do português.
Como o mirandês ganhou reconhecimento?
O reconhecimento oficial está ligado à preservação dos direitos linguísticos da comunidade mirandesa. A Lei n.º 7/99 determina que o Estado português reconhece o direito de cultivar e promover o mirandês como patrimônio cultural, instrumento de comunicação e elemento de identidade da Terra de Miranda.
O ensino também faz parte desse processo. Um despacho normativo publicado em 1999 regulamentou a possibilidade de aprendizagem do mirandês por alunos dos estabelecimentos de ensino básico e secundário do concelho de Miranda do Douro. A disciplina foi prevista como uma vertente de enriquecimento do currículo.
Assim, a língua passou a ter espaço também no ambiente escolar.
O que o Presidente de Portugal falou em mirandês?
Foi justamente uma mensagem presidencial que colocou o idioma novamente em evidência em setembro de 2026. No Dia da Língua Mirandesa, António José Seguro publicou uma mensagem escrita em mirandês para convidar o público para a Festa do Livro em Belém.
O título da mensagem foi: "Hoije ampeça la Fiesta de l Lhibro an Belén, senti-bos cumbidados!" A tradução apresentada pelo Correio da Manhã é: "Hoje começa a Festa do Livro em Belém, sintam-se convidados!"
Na mesma mensagem, o presidente português descreveu o mirandês como "uma língua que se guardou na boca das pessoas".
Ele também relacionou a preservação do idioma à tradição oral e à produção escrita. Segundo António José Seguro, a língua esteve presente nas histórias de lareira, nos cantares e nas conversas cotidianas e atualmente também está nos livros.
Outra frase publicada na mensagem resume a importância atribuída à escrita para a permanência do idioma: "Uma língua que se escreve é uma língua que fica."
Por que o dia 17 de setembro é dedicado ao mirandês?
O Dia da Língua Mirandesa é celebrado em 17 de setembro. A data aparece justamente no contexto do reconhecimento da língua pelo Parlamento português. Em 17 de setembro de 1998, a Assembleia da República aprovou a proposta que reconhecia oficialmente o mirandês. A lei seria publicada no ano seguinte.
Em 2026, a data ganhou uma celebração pública com a mensagem do Presidente da República. O gesto também aproximou o idioma de outro evento cultural português. A mensagem de António José Seguro convidava o público para a 9ª Festa do Livro no Palácio de Belém, iniciativa que começou naquela quinta-feira e seguiria até domingo, com entrada livre.
Mirandês ainda é falado atualmente?
Sim. O idioma continua presente em Portugal e mantém reconhecimento oficial. Além de ser utilizado por comunidades da região de Miranda do Douro, o mirandês possui espaço no ensino. A legislação portuguesa reconhece o direito à sua aprendizagem, e o idioma é oferecido como disciplina em escolas da região.
A existência de materiais escritos também faz parte dessa história. O reconhecimento legal de 1999 estabeleceu direitos relacionados à promoção da língua e ao apoio científico e educativo para a formação de professores de língua e cultura mirandesas.
É justamente essa combinação entre uso cotidiano, ensino, produção escrita e reconhecimento legal que mantém o mirandês como uma presença particular dentro de Portugal.