Novo dinossauro descoberto na China tinha mais de 3,6 metros, dezenas de dentes e ainda estava crescendo. Conheça o Kayrasaurus changliensis.
Uma nova espécie de dinossauro foi identificada na China. Com quase 3,7 metros de comprimento, corpo robusto, pescoço comprido, cabeça pequena e dezenas de dentes espremidos dentro da boca, o animal possuía garras enormes e penas.
Batizada de Kayrasaurus changliensis, a nova espécie de dinossauro foi identificada a partir de um esqueleto quase completo encontrado na Formação Yixian, no nordeste da China. O tamanho já seria suficiente para chamar a atenção dos paleontólogos.
O detalhe é que o fóssil analisado pertencia a um animal que ainda não havia terminado de crescer. Com mais de 3,6 metros de comprimento e massa estimada entre 117 e 274 quilos, o Kayrasaurus changliensis é o maior terizinossauro já identificado na Biota de Jehol.
A descoberta foi apresentada por Chun-Chi Liao, William J. Freimuth, Lindsay E. Zanno e Xing Xu em um estudo publicado em setembro de 2026 no Journal of Systematic Palaeontology. Além das dimensões, a anatomia do novo dinossauro chamou a atenção por revelar uma combinação incomum de características, principalmente na boca.
Qual é o novo dinossauro descoberto na China?
O novo dinossauro descoberto na China recebeu o nome de Kayrasaurus changliensis e pertence aos terizinossauros, um grupo de dinossauros terópodes conhecido por características anatômicas bastante incomuns.
O fóssil foi recuperado na Formação Yixian, na região de Liaoning, no nordeste da China. O esqueleto está quase completo, embora não preserve as patas traseiras. O crânio, a mandíbula, partes da coluna e dos membros dianteiros estão entre os elementos encontrados.
O Kayrasaurus changliensis viveu durante o Cretáceo Inferior. A análise evolutiva feita pelos pesquisadores coloca a espécie entre os representantes mais antigos da linhagem dos terizinossauros.
Seu nome também carrega uma curiosidade. “Kayra” faz referência ao deus da criação no xamanismo turco, enquanto “saurus” vem do grego e significa lagarto. Já “changliensis” deriva de Changli, um antigo nome associado à região de procedência do fóssil.
Como era o Kayrasaurus changliensis?
O Kayrasaurus changliensis tinha mais de 3,6 metros de comprimento e um corpo robusto, mas ainda não havia atingido a maturidade esquelética quando morreu. A estimativa de massa corporal apresentada pelos pesquisadores varia de aproximadamente 117 a 274 quilos.
Os terizinossauros formam um grupo conhecido pela aparência peculiar. Entre as características encontradas em representantes da linhagem estão cabeça relativamente pequena, pescoço alongado e grandes garras nos membros dianteiros. Evidências fósseis também mostram que integrantes do grupo apresentavam penas.
O exemplar recém-descrito se destaca especialmente pelas dimensões. O Kayrasaurus changliensis era pelo menos 1,6 vez maior do que o Beipiaosaurus inexpectus, até então o segundo maior terizinossauro conhecido da região de Jehol.
E existe um detalhe importante: o animal encontrado ainda estava crescendo.
Os pesquisadores chegaram a essa conclusão observando o padrão de fusão dos ossos. Algumas estruturas já estavam fundidas, enquanto outras ainda apresentavam sinais de desenvolvimento incompleto. O conjunto indica que se tratava provavelmente de um indivíduo subadulto.
Isso significa que um Kayrasaurus changliensis adulto poderia alcançar dimensões maiores. O estudo, porém, não estabelece qual seria o tamanho máximo da espécie.
Por que os dentes do novo dinossauro surpreenderam os pesquisadores?
A quantidade e a disposição dos dentes estão entre as características mais incomuns do Kayrasaurus changliensis. O dinossauro apresentava dentes muito pequenos, numerosos e densamente agrupados.
O estudo identificou mais de 45 dentes na parte inferior da boca e mais de 32 na parte superior. A densidade ultrapassava 3,5 a 4 dentes por centímetro.
A reportagem da Popular Science destaca que outros terizinossauros de grande porte não apresentavam mais de 40 dentes em uma única mandíbula. O novo animal também possuía uma mordida inferior bastante pronunciada.
A anatomia do crânio trouxe outras peculiaridades. Havia uma abertura triangular na lateral da mandíbula inferior e uma abertura grande na região superior, próxima ao focinho. A função dessas estruturas ainda não está esclarecida.
São justamente características como essas que tornam o fóssil importante para entender a diversidade dos terizinossauros.
O novo dinossauro descoberto na China era carnívoro?
Apesar da aparência intimidadora, as características conhecidas do Kayrasaurus changliensis são compatíveis com um animal adaptado principalmente ao processamento de vegetação.
Isso pode parecer contraditório porque os terizinossauros pertencem aos terópodes, grupo que também inclui famosos dinossauros carnívoros. A própria história evolutiva dos terizinossauros confundiu pesquisadores durante décadas por reunir características anatômicas muito diferentes das encontradas em outros terópodes.
No caso do Kayrasaurus changliensis, a anatomia dos dentes e da mandíbula oferece pistas sobre como o animal se alimentava.
O estudo encontrou características relacionadas a uma maior capacidade de processamento oral e a uma possível força de mordida maior quando comparada à de alguns outros terizinossauros da mesma região. Os próprios pesquisadores ressaltam, entretanto, que essas interpretações ainda são provisórias e precisam de novas análises e fósseis mais completos para serem testadas com maior rigor.
O Kayrasaurus changliensis tinha garras gigantes?
O Kayrasaurus changliensis fazia parte dos terizinossauros, grupo famoso pelas enormes garras nos membros dianteiros. Alguns representantes mais tardios dessa linhagem desenvolveram garras excepcionalmente grandes.
A anatomia das garras também é importante para entender a evolução desses animais. No novo estudo, os pesquisadores analisaram características dos membros dianteiros e encontraram particularidades que ajudam a diferenciar o Kayrasaurus changliensis de outros integrantes do grupo.
Mas é importante fazer uma distinção. As famosas garras com mais de 90 centímetros mencionadas na reportagem da Popular Science são uma característica conhecida em terizinossauros de maneira geral e não correspondem a uma medida atribuída especificamente ao novo exemplar.
O Kayrasaurus changliensis pertence a uma fase mais antiga da evolução do grupo, o que torna seu esqueleto particularmente útil para investigar como algumas das características mais extremas dos terizinossauros apareceram ao longo do tempo.
O Kayrasaurus changliensis conseguia correr?
O corpo robusto do Kayrasaurus changliensis indica que ele provavelmente era menos adaptado à corrida do que alguns terizinossauros menores que viveram na mesma região. Ao comparar espécies da Biota de Jehol, os pesquisadores encontraram indícios de pelo menos duas estratégias ecológicas diferentes.
Jianchangosaurus yixianensis e Lingyuanosaurus sihedangensis apresentavam características associadas a maior capacidade de locomoção. Já Beipiaosaurus inexpectus e Kayrasaurus changliensis tinham corpos mais robustos e características relacionadas a maior processamento dos alimentos pela boca.
A diferença sugere que animais aparentados e que viveram em períodos e regiões próximos poderiam ocupar nichos ecológicos distintos.
Os pesquisadores, porém, tratam essa interpretação como uma hipótese. Ainda faltam análises biomecânicas específicas de algumas dessas espécies, incluindo o próprio Kayrasaurus changliensis.
Por que a descoberta do novo dinossauro é importante?
A descoberta do Kayrasaurus changliensis amplia o conhecimento sobre a diversidade e a evolução dos terizinossauros durante o Cretáceo Inferior.
Ele é o quarto terizinossauro de ramificação inicial conhecido do Grupo Jehol. Outros três já haviam sido identificados na região: Beipiaosaurus inexpectus, Jianchangosaurus yixianensis e Lingyuanosaurus sihedangensis.
Encontrar um animal tão diferente vivendo em um contexto próximo ao dessas espécies ajuda os paleontólogos a investigar como terizinossauros aparentados desenvolveram corpos e possíveis estratégias de alimentação distintas.
O Kayrasaurus changliensis também preenche lacunas morfológicas entre espécies conhecidas anteriormente. Ao mesmo tempo, suas características próprias mostram que a variedade de formas entre esses dinossauros era maior do que os fósseis anteriores permitiam perceber.
Ainda existem perguntas sem resposta. A posição evolutiva exata da nova espécie possui suporte estatístico limitado na análise realizada, e as hipóteses sobre diferenças ecológicas entre os terizinossauros de Jehol precisam de novas evidências.
Por isso, fósseis mais completos e novas análises serão importantes para entender melhor como esses animais viviam. Por enquanto, o esqueleto encontrado na China acrescenta uma figura bastante peculiar à história dos dinossauros: um terópode emplumado, robusto, com dezenas de dentes e que já tinha mais de 3,6 metros antes mesmo de terminar de crescer.