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Condomínio de luxo com imóveis milionários se inspira em favelas do RJ e gera polêmica

Localizado em uma das áreas mais valorizadas do Rio, apartamentos e casas no condomínio podem ultrapassar R$ 2 milhões.

Douglas Neves | 12 de Janeiro de 2026 às 15:00

O Parque Maria Cândida Pareto, idealizado para favelas, agora abriga imóveis que custam milhões na zona sul carioca. - Reprodução/Internet

Idealizado como uma possível solução para problemas habitacionais nas favelas cariocas, um projeto acabou ganhando um destino inesperado no Rio de Janeiro e tornou-se um condomínio de alto padrão em uma das regiões mais valorizadas da cidade.

Construído em 1978, o Parque Maria Cândida Pareto, no Humaitá, zona sul da capital fluminense, voltou a chamar atenção nas redes sociais por ter uma estética que lembra comunidades, mas com imóveis que hoje ultrapassam a casa dos milhões.

Assinado pelo arquiteto Sérgio Bernardes e desenvolvido pela extinta construtora Goldfeld, o condomínio conta com 60 casas distribuídas em 11 níveis, organizadas como se fossem andares. Acompanhando a encosta do morro, o local possui dois elevadores tipo bondinho, solução pensada para facilitar a circulação entre os níveis, áreas comuns, quadra e salão de festas.

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Um projeto que nasceu com vocação social

Construído em 1978, o Parque Maria Cândida Pareto fica localizado no Humaitá. (Imagem: Reprodução/Internet)

Apesar de hoje estar inserido em uma das áreas mais caras da cidade, o projeto nasceu de uma proposta social. Nos anos 1960, Sérgio Bernardes defendia esse modelo construtivo como alternativa para a remodelação de favelas cariocas, apostando em soluções verticais, integradas ao relevo e com uso racional do espaço.

A ideia chegou a ser apresentada ao poder público, mas não avançou. Parte do conceito, porém, acabou reaproveitada anos depois na criação do Parque Maria Cândida Pareto, construído já com outro perfil de moradores e padrão de mercado.

Condomínio inspirado em favelas fica em área nobre do Rio

Localizado no Humaitá, entre Botafogo e a Lagoa, o condomínio está em uma região altamente valorizada da zona sul da capital carioca. O visual, com tijolos aparentes e casas semelhantes dispostas no morro, confunde até hoje quem olha de longe e pensa se tratar de uma favela, mas a realidade por trás dos muros é bem diferente.

Há unidades duplex e triplex, algumas com vista direta para o Cristo Redentor. Um imóvel anunciado recentemente no site da imobiliária Portella SM Imóveis foi avaliado em R$ 2,4 milhões, com condomínio mensal de R$ 2,4 mil.

“Na zona sul tem uma brincadeira de que este condomínio é o ‘faveluxo’ porque olhando de longe, no morro, essas casinhas de tijolos, que parecem todas iguais, têm um ar de comunidade”, contou Rafael Portella, sócio-diretor da imobiliária, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. “Mas ele está bem longe disso. Tem unidades duplex e até triplex. É um condomínio de alto poder aquisitivo e numa boa localização”.

Apesar da brincadeira, a verdade é que o Parque Maria Cândida Pareto é um exemplo de como uma proposta de urbanização pensada para enfrentar desigualdades acabou se transformando, décadas depois, em um símbolo de exclusividade e desigualdade.

Quanto custa morar no Humaitá hoje?

No mercado imobiliário da zona sul carioca, o Humaitá figura entre os bairros mais valorizados. Os preços variam conforme metragem, vista e padrão do imóvel, mas o valor do metro quadrado costuma ficar entre R$ 13 mil e R$ 16 mil. Apartamentos menores partem de cerca de R$ 700 mil, enquanto unidades maiores ou com características diferenciadas podem ultrapassar facilmente os R$ 2 milhões.

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