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Perfumes recarregáveis: a tendência de sustentabilidade que está mudando o mercado de fragrâncias

Conheça os perfumes recarregáveis, trend que ganha espaço e pode reduzir o uso de vidro, plástico e metal.

Thyago Murad | 17 de Setembro de 2026 às 10:30

As fragrâncias em refill podem auxiliar a diminuir a quantidade de lixo. - Reprodução / Freepik

Comprar um perfume novo nem sempre precisa significar levar para casa outro frasco completo. Os perfumes recarregáveis estão ganhando espaço justamente por proporem uma mudança simples: manter a embalagem original e substituir apenas o conteúdo quando a fragrância termina.

A ideia combina consumo e sustentabilidade. Em vez de descartar um frasco que ainda pode ser usado, a pessoa conserva a embalagem e compra uma recarga. Com isso, diminui a quantidade de materiais necessários para colocar o mesmo perfume novamente no mercado.

A tendência acompanha uma transformação mais ampla na indústria da beleza. Ingredientes, processos de fabricação e, principalmente, embalagens passaram a fazer parte da discussão sobre o impacto ambiental dos produtos.

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O que são perfumes recarregáveis?

Os perfumes recarregáveis são fragrâncias comercializadas em frascos desenvolvidos para serem reutilizados. Quando o líquido acaba, a embalagem original não precisa ser descartada. Ela pode receber uma nova carga do mesmo perfume por meio de um sistema específico de recarga.

Na prática, existem diferentes formatos. Alguns permitem que a própria pessoa faça o reabastecimento em casa. Outros dependem de sistemas disponíveis em lojas, como fontes de perfume.

Por que os perfumes recarregáveis são considerados mais sustentáveis?

O principal argumento está na própria embalagem. Um perfume tradicional exige um novo conjunto de componentes quando o consumidor compra outra unidade. Isso pode envolver frasco, tampa, válvula, plástico, papelão e outros materiais.

No modelo recarregável, parte dessa estrutura permanece em uso. A L’Oréal, por exemplo, explica que seus frascos recarregáveis permitem reutilizar a embalagem diversas vezes, evitando que ela seja descartada depois que o conteúdo termina. A Prada Paradoxe é citada pela empresa como exemplo de fragrância comercializada com essa proposta.

A diferença pode ser relevante porque embalagens de cosméticos nem sempre são feitas de um único material. A Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, a ABIHPEC, explica que muitos produtos combinam vidro, plástico, metal, papel e outros componentes.

Essa composição pode dificultar a reciclagem. Por isso, separar corretamente as partes e fazer a limpeza básica antes do descarte ajuda a aumentar as chances de o material ser efetivamente reciclado.

Com um perfume recarregável, a embalagem principal permanece em circulação por mais tempo. Isso muda uma etapa importante do ciclo de consumo: em vez de comprar, usar e descartar um frasco inteiro, a pessoa pode manter a mesma embalagem e substituir o conteúdo.

Perfumes recarregáveis reduzem o desperdício?

Podem reduzir, principalmente quando a embalagem original é reutilizada várias vezes. O uso de refis evita a necessidade de produzir uma nova embalagem completa para cada reposição. Em uma iniciativa da L’Óreal no Brasil, o grupo afirma que o reabastecimento de fragrâncias pode evitar o uso de 51% de vidro, 46% de plástico e 67% de metal empregados na fabricação dos frascos.

Outro exemplo aparece na própria linha de produtos da companhia. Para o La Vie Est Belle, a L’Oréal informa que a escolha do refil de 100 ml permite economizar 74% do vidro, 100% do metal, 63% do plástico e 61% do papelão em comparação com determinadas compras de embalagens convencionais.

Esses números são específicos dos sistemas analisados pela empresa. Isso significa que não é possível aplicar automaticamente os mesmos percentuais a todos os perfumes recarregáveis.

Ainda assim, eles ajudam a visualizar como a reutilização da embalagem pode diminuir a quantidade de matéria-prima utilizada.

O descarte de embalagens de perfume também importa

Escolher um perfume recarregável é apenas uma parte da questão. Mesmo com a reutilização do frasco principal, continuam existindo embalagens que precisam ser destinadas corretamente. A própria recarga tem uma embalagem e pode reunir diferentes materiais.

Esse ponto é importante porque uma embalagem bonita não é necessariamente fácil de reciclar.

De acordo com a ABIHPEC, embalagens de produtos de beleza frequentemente são multimateriais. Um único produto pode reunir componentes de vidro, plástico, metal, papel e outros elementos. A separação das partes e a limpeza básica são etapas que ajudam no processo de reciclagem.

No Brasil, o programa Mãos Pro Futuro, criado pela ABIHPEC em 2006, trabalha com a recuperação de embalagens pós-consumo e conecta o descarte a uma rede de cooperativas de catadores. Em 2025, o programa recuperou mais de 200 mil toneladas de embalagens, segundo a entidade.

Por isso, quando uma embalagem de perfume não puder mais ser reutilizada, vale verificar as orientações de coleta seletiva e logística reversa disponíveis na região ou oferecidas pela própria marca.

O que muda no impacto ambiental de um perfume recarregável?

A mudança acontece principalmente na quantidade de embalagem utilizada ao longo do tempo. Imagine dois cenários. No primeiro, uma pessoa termina um perfume e compra novamente o produto completo. O ciclo envolve uma nova embalagem principal.

No segundo, ela mantém o frasco e compra somente uma recarga compatível. No segundo caso, a embalagem original continua sendo aproveitada. Isso reduz a necessidade de produzir outro frasco para aquela reposição.

A L’Oréal também relaciona o sistema de refil à redução de emissões de carbono. Em uma iniciativa da companhia no Brasil, a empresa informa que a adoção de refil para La Vie Est Belle representa uma redução de 41% nas emissões de carbono, além da diminuição no uso de vidro, plástico e metal.

Mas existe uma ressalva importante: o impacto ambiental de um produto não depende apenas de ele ser chamado de recarregável. É preciso considerar a embalagem original, o material utilizado na recarga, a quantidade de vezes que o frasco é efetivamente reutilizado e o destino dado aos resíduos.

A própria metodologia ambiental da L’Oréal considera vários usos para avaliar produtos recarregáveis. A empresa explica que, como a embalagem inicial é projetada para durar mais, a avaliação precisa considerar o produto junto de várias recargas, e não apenas comparar uma embalagem isolada com outra.

Perfumes recarregáveis também acompanham uma mudança no mercado

A sustentabilidade não está aparecendo apenas nas embalagens. O mercado de fragrâncias também passa por uma mudança na relação entre consumidores e produtos. Um artigo publicado pela Cosmetics & Toiletries Brasil aponta que consumidores estão buscando perfumes associados a práticas ambientais e éticas, enquanto marcas investem em ingredientes, processos e embalagens com menor impacto.

A transformação inclui a redução do uso de plásticos e materiais não recicláveis, além da adoção de recipientes que podem ser reutilizados ou reciclados.

Os perfumes recarregáveis entram justamente nesse movimento. A proposta não é abandonar o luxo ou a experiência de ter uma fragrância bonita. É mudar o que acontece depois que o perfume acaba.

Em vez de considerar o frasco como parte descartável do produto, o recipiente passa a fazer parte da experiência por mais tempo. No fim, a lógica é bem direta: se o frasco ainda pode ser usado, por que descartá-lo junto com o perfume que acabou?

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